Pontas: Eu não escrevi um post natalino, Chistmas’ spirit failed.
Prince: Eu também não. Preguiça. Daqui a uma semana eu escrevo. Lol.
Pontas: Lol, até lá a gente já vai ter até esquecido como foi o Natal.
***
Bom, caros leitores, como vocês devem saber (ou não), a preguiça é um lixo. Ela te deixa desanimado, sem vontade de fazer nada e simplesmente sem saco para qualquer coisa que envolva movimento (só piscamos e respiramos pois estes são movimentos incontroláveis, né — o nome não é “incontrolável”, mas agora eu realmente não me lembro qual é). Essa foi a única razão que fez com que o post de Natal não fosse... feito. Anyway, eu não tenho realmente muito que dizer. O Natal foi particularmente normal, a véspera é que não foi lá essas coisas. Eu tive um desentendimento com Ela, sabe, aquela única que conseguiu arrancar o meu coração de mim. Mas já faz tempo. Quero dizer, o Natal foi há... quatro dias atrás. Muita coisa aconteceu nesses quatro dias, muita: eu fiquei usando o computador o dia inteiro, parando apenas para ler ou desenhar de vez em quando.
É, esse é o tipo de férias que qualquer um gostaria de ter (não, com certeza não). Ah, e eu tenho de parar com as três canecas de café à noite, estou indo dormir incrivelmente tarde por causa delas, e isso já está começando a gerar problemas por aqui. Preciso parar de comer tantos biscoitos de chocolate, e com certeza necessito de alguns exercícios para relaxar e sair de dentro desse quarto aqui, que é com certeza o lugar em que eu passo maior parte da minha vida. Isso é estranho, mas realmente necessito pegar Sol e ver as pessoas (embora por aqui só tenha muggles idiotas).
Bom, eu não vou falar só de Natal aqui, embora minha intuição no começo tenha sido fazer um post exclusivamente natalino. Há uma coisa que quero deixar esclarecida, pois já gerou algumas perguntas (não aqui no blog, mas no Messenger) de pessoas que querem saber se eu gosto de “Turma da Mônica Jovem”. Não, eu não gosto de Turma da Mônica Jovem. Eu estou seguindo um blog sobre isso somente pelo fato de que um grande colega meu é o dono dele, e eu gostaria de divulgar o blog simplesmente pela nossa “grande colegagem”. Assim como eu gostaria de que meu blog fosse divulgado.
Não tenho simplesmente nada contra a TMJ, eu simplesmente não aprecio. Não sinto a menor vontade de ler as estórias (embora já tenha lido um exemplar desse mesmo grande colega), achei o gibi muito bem desenhado (é estilo Mangá, awesome!!) e tudo mais, mas não é o tipo de estória que eu ficaria acompanhando. Maurício de Souza é um desenhista e tanto, aprecio muito suas obras e o considero uma verdadeira inspiração, mas acho que Turma da Mônica já deu o que tinha de dar.
Bom, se você, leitor, chegou até aqui, gosta realmente do que escrevo, ou é um estúpido. Ah, esse blog é estúpido, eu sou estúpido, minha vida também... todos ao me redor são e tudo que eu gosto é (okay, aí não!)! Sendo assim, se está lendo isso, eu torço de coração para que aconteça algo legal a você, como tomar um cappuccino ou, sei lá, adotar um macaco Capuchin.
Merda, qual dos dois eu escolho?
quarta-feira, dezembro 29, 2010
sexta-feira, dezembro 24, 2010
A casa da avó
A casa de sua avó fora sempre cheia de coisas estranhas, mas que sempre o haviam interessado. Havia aqueles quadros nos corredores, quadros obscuros, sombrios, de casas ao longe, de ilhas, de noites chuvosas. Tinha um relógio cuco na casa, mas que funcionava muito mal. Devia ter uns seis relógios na casa toda, e cada um espalhado por cada cômodo da residência. Um lustre muito grande e luxuoso ficava pendurado no saguão; e, logo nesse saguão, encontravam-se mais outros quadros. Mas não quadros sombrios, mas com fotos dele e de seus outros primos e primas, de quando eram todos pequenos e supostamente felizes. Mais à frente havia a cozinha, que era espaçosa. Nos armários espalhados pelas paredes da cozinha, bonecos de dez centímetros e de pano encontravam-se pendurados enfeitando; um dos bonecos era uma bruxa, uma bruxa feiosa e gorducha que, uma vez, o garoto achara que havia virado a cabeça para ele e piscado os olhos macabros, quando era pequeno. Outros bonecos eram gnomos, ou duendezinhos, que ele se lembrava de sempre ter querido brincar, mas nunca arranjara coragem para pedir emprestado — eles sempre pareceram tão frágeis. Dentro dos armários tinha tudo que uma cozinha deveria ter, é claro: panelas, pratos, copos, talheres, taças, ingredientes, suprimentos. E a geladeira, que ficava logo de frente para a entrada da cozinha, era a mesma; a avó tinha aquela geladeira desde que o menino se entendia por gente, e o eletrodoméstico continuava a funcionar perfeitamente. Saindo da cozinha e voltando ao hall, via-se uma porta de alumínio, que dava para o banheiro, que não era um pouco apertado e desconfortável. E havia ainda mais duas portas no saguão, portas de vidro, ambas davam para a sala de estar. E a sala de estar? O que dizer sobre ela? Era bonita, grande e aconchegante, com sofás enormes e confortáveis, cortinas longas e bonitas, um tapete que cobria todo o chão. A televisão gigantesca, o aparelho de fita cassete (há tantos anos exterminado das moradias de todo o mundo) e um rádio muito antigo encontravam-se encostados em uma das paredes. Dentro da sala de estar, havia uma porta que dava para o seu quarto. No quarto via-se uma cama gigantesca, onde o garoto já dormira tantas vezes antes. Havia armários e um guarda-roupa, e bonecas de pano. Bonecas de pano no chão e nos cantos, encarando qualquer um que entrava no recinto; encaravam com seus olhos de botão, negros, e seus rostos inexpressivos. Ele sempre temera aquelas bonecas, até mesmo hoje em dia, já crescido, ainda sentia um certo arrepio na espinha e calafrios ao vê-las.
Do lado de fora da casa de sua avó, havia um jardim. Um jardim assustador, com muitas plantas altas e de vários tipos. Para além do jardim havia um corredor (entre as paredes da casa da avó e o muro que separava da casa vizinha), um corredor que, à noite, era moradia de criaturas terríveis e assustadoras, como ratos e baratas. Ah, bom, antigamente o corredor era habitado por duendes, gnomos, besouros gigantes, ratos malignos e demônios, mas hoje em dia apenas ratos e baratas mesmo; nada tão terrível que fosse capaz de fazê-lo perder noites de sono. Enfim, era assim que ele sempre vira a casa de sua avó materna: como um lugar divertido, porém assustador. Nunca perguntou a nenhum primo seu como via a casa, e nem a nenhuma outra pessoa, era idiotice. Todavia, apesar de tudo, ele adorava aquele lugar, embora já não passasse mais tanto tempo lá.
Do lado de fora da casa de sua avó, havia um jardim. Um jardim assustador, com muitas plantas altas e de vários tipos. Para além do jardim havia um corredor (entre as paredes da casa da avó e o muro que separava da casa vizinha), um corredor que, à noite, era moradia de criaturas terríveis e assustadoras, como ratos e baratas. Ah, bom, antigamente o corredor era habitado por duendes, gnomos, besouros gigantes, ratos malignos e demônios, mas hoje em dia apenas ratos e baratas mesmo; nada tão terrível que fosse capaz de fazê-lo perder noites de sono. Enfim, era assim que ele sempre vira a casa de sua avó materna: como um lugar divertido, porém assustador. Nunca perguntou a nenhum primo seu como via a casa, e nem a nenhuma outra pessoa, era idiotice. Todavia, apesar de tudo, ele adorava aquele lugar, embora já não passasse mais tanto tempo lá.
Marcadores:
assustador,
avó,
baratas,
bonecas de pano,
casa,
quadros sombrios,
ratos
quinta-feira, dezembro 23, 2010
Solidão (poema)
Durante o dia, sensação de perseguição
Durante a tarde, estranhos vultos
Durante a noite, um murmúrio sombrio.
Enquanto caminha, sem rumo e sem o que fazer,
Vive vendo o que não deveria ver.
Enquanto pensa, mesmo sem ter muito que pensar,
Ouve estranhos sussurros, que chegam a atrapalhar.
Talvez seja bobeira, talvez seja ilusão,
Mas não há nada no mundo que o incomode mais
Do que a amarga solidão.
Quando jovem, jamais se incomodara
Mas agora que crescera, sentia-se vazio, e perturbado
Por não ser mais conhecido, e nem mesmo perguntado.
Esqueceram-lhe o nome, esqueceram-lhe a existência,
E por causa disso, caiu em decadência.
Mas já não havia mais o que fazer
Se estava tão só;
Poderia socializar, ou ao menos tentar,
Todavia, tinha certeza de que nunca iria prosperar.
A solidão o aguardava, e devia acomodar-se a isso
O fabuloso bruxo estava preso em seu próprio feitiço.
Escrevi isso há poucos minutos. Veio tão repentinamente que até assustei-me; gostei, nunca escrevi um poema antes. Não um que eu apreciasse, pelo menos. Espero que goste, leitor (a).
Todos os direitos reservados a Pontas
Durante a tarde, estranhos vultos
Durante a noite, um murmúrio sombrio.
Enquanto caminha, sem rumo e sem o que fazer,
Vive vendo o que não deveria ver.
Enquanto pensa, mesmo sem ter muito que pensar,
Ouve estranhos sussurros, que chegam a atrapalhar.
Talvez seja bobeira, talvez seja ilusão,
Mas não há nada no mundo que o incomode mais
Do que a amarga solidão.
Quando jovem, jamais se incomodara
Mas agora que crescera, sentia-se vazio, e perturbado
Por não ser mais conhecido, e nem mesmo perguntado.
Esqueceram-lhe o nome, esqueceram-lhe a existência,
E por causa disso, caiu em decadência.
Mas já não havia mais o que fazer
Se estava tão só;
Poderia socializar, ou ao menos tentar,
Todavia, tinha certeza de que nunca iria prosperar.
A solidão o aguardava, e devia acomodar-se a isso
O fabuloso bruxo estava preso em seu próprio feitiço.
Escrevi isso há poucos minutos. Veio tão repentinamente que até assustei-me; gostei, nunca escrevi um poema antes. Não um que eu apreciasse, pelo menos. Espero que goste, leitor (a).
Todos os direitos reservados a Pontas
segunda-feira, dezembro 20, 2010
Alzheimer: como evitá-lo
Sentou-se na cadeira da cozinha com seu exemplar recente de Palavras-cruzadas e uma caneta velha e quase no final à mão. Havia um copo de suco ao seu lado, com muitas pedras de gelo. Decidiu levar o suco e o resto para o quarto, onde ligaria o ar-condicionado. O calor nos últimos dias estava tão insuportável...
Enquanto fazia o Palavras-cruzadas, lembrou-se de um e-mail que recebera sobre o Mal de Alzheimer. Uma colega o havia enviado o tal e-mail, alertando sobre os males do Mal de Alzheimer, e como evitá-lo. Palavras-cruzadas era umas das coisas que ajudava a manter longe a tal doença. No e-mail havia alguns testes, como usar o relógio no pulso direito. Pensou bem, olhou o pulso direito e percebeu que sempre usara o relógio ali. Bom, continuando, lembrou-se também que estava escrito sobre andar de costas pela casa; lembrou-se que fizera isso no dia anterior, à tarde, logo após o almoço. Havia algo sobre ver imagens de cabeça para baixo também; sendo assim, pregou o álbum de fotos da família, colocou-o de cabeça para baixo, e dez minutos depois havia terminado de ver quase todas as fotos daquela maneira. Recordou sobre testar comidas novas... Não entendeu o motivo de aquelas coisas evitarem o Alzheimer, mas ele não tinha mais nada para fazer mesmo. É, já que não tinha mais nada para fazer, iria evitar que o Mal de Alzheimer arruinasse com sua vida... Se surgisse algo mais interessante para se fazer, ele faria, mas por enquanto tentaria impedir aquela doença.
Sendo assim, foi até a cozinha, passando pelo corredor muito abafado. Chegando lá, experimentou algumas misturas, nada demais. Em seguida, não resistindo ao calor, retornou ao quarto. Sentou-se na cama e pensou no que havia feito na cozinha, em uma das misturas que fizera.
— Bolo de chocolate misturado com orégano. Isso sim é aventura. — falou, voltando sua atenção às palavras-cruzadas e tentando tirar o gosto horrível do experimento com o suco, agora completamente aguado, ao seu lado no chão.
Enquanto fazia o Palavras-cruzadas, lembrou-se de um e-mail que recebera sobre o Mal de Alzheimer. Uma colega o havia enviado o tal e-mail, alertando sobre os males do Mal de Alzheimer, e como evitá-lo. Palavras-cruzadas era umas das coisas que ajudava a manter longe a tal doença. No e-mail havia alguns testes, como usar o relógio no pulso direito. Pensou bem, olhou o pulso direito e percebeu que sempre usara o relógio ali. Bom, continuando, lembrou-se também que estava escrito sobre andar de costas pela casa; lembrou-se que fizera isso no dia anterior, à tarde, logo após o almoço. Havia algo sobre ver imagens de cabeça para baixo também; sendo assim, pregou o álbum de fotos da família, colocou-o de cabeça para baixo, e dez minutos depois havia terminado de ver quase todas as fotos daquela maneira. Recordou sobre testar comidas novas... Não entendeu o motivo de aquelas coisas evitarem o Alzheimer, mas ele não tinha mais nada para fazer mesmo. É, já que não tinha mais nada para fazer, iria evitar que o Mal de Alzheimer arruinasse com sua vida... Se surgisse algo mais interessante para se fazer, ele faria, mas por enquanto tentaria impedir aquela doença.
Sendo assim, foi até a cozinha, passando pelo corredor muito abafado. Chegando lá, experimentou algumas misturas, nada demais. Em seguida, não resistindo ao calor, retornou ao quarto. Sentou-se na cama e pensou no que havia feito na cozinha, em uma das misturas que fizera.
— Bolo de chocolate misturado com orégano. Isso sim é aventura. — falou, voltando sua atenção às palavras-cruzadas e tentando tirar o gosto horrível do experimento com o suco, agora completamente aguado, ao seu lado no chão.
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Fragmentos de vida #2
“- 17 de Junho de 2010 – 08:42 P.M.
Faz pouquíssimo tempo que as aulas começaram. Ainda é junho. Na verdade, o tempo está passando rápida ou lentamente? Eu juro que não faço idéia. Só sei que no fim do ano eu direi ‘Nossa, vejam, já estamos em dezembro, como o ano passou rápido’. Eu sempre digo isso, todos sempre dizem também (não exatamente com as mesmas palavras, é claro). Acontece que eu já fiz amizades. Não, eu não fiz amizades, não são meus amigos. Colegas, eu os chamaria; colegas...
Logo no primeiro dia de aula eu fiz duas amizades. Amizade não, droga! É a falta de uma outra palavra que me faz escrever ‘amizade’ toda hora. Bom, eu só sei que daqui há alguns meses — quem sabe semanas? — eu, provavelmente, muito provavelmente, já não estarei falando com nenhum desses meus novos colegas. Bom, na verdade, só fiz duas colegas. Sim, duas. Garotas, sabe? Um amigo meu (amigo mesmo) está na mesma sala que eu; isso é bom, eu acho. Acho que eu já mencionei essas garotas antes, e esse meu amigo. Sei lá, sabe que nunca fui bom em me lembrar das coisas, e não estou mesmo com disposição para ler as outras escrituras minhas, as anteriores.
É engraçado isso: tem pessoas com quem realmente nos damos bem, nos identificamos, e outras com quem nos irritamos logo de cara. É coisa do cérebro, isso? Quero dizer, como é possível julgarmos alguém assim? Só de olharmos, só de ouvirmos falar uma coisa, ou de fazer alguma coisa. Sei lá, tem impressões, na verdade, que realmente nunca mudam. Dizem que é a primeira impressão que fica, mas não concordo muito com isso. Juro para você que tinha meninas, no primeiro dia de aula, por quem senti uma forte atração, mas que hoje, no meio de junho, já tendo passado um bom tempo na mesma sala que elas, eu já nem vejo mais tanta beleza e simpatia. Aposto que isso acontece com os outros também; ou será que não? Bom, nos primeiros dia de aula, juro que uma das garotas com quem fiz colegagem (sim, eu acabei de inventar este termo) achava meu amigo de outro colégio um cara legal e bonito, mas hoje simplesmente já não sente vontade nem de se aproximar dele para conversar.
Não pretendo ficar aqui muito mais tempo, só queria escrever esses pensamentos que acabaram ficando presos na minha cabeça ao decorrer do dia de hoje, após presenciar certas cenas e ouvir certas coisas. Mas para resumir meu dia em uma só palavra, acho que eu escolheria a palavra ‘divertido’. Hoje foi quinta-feira, tivemos aula de História Geral, o professor é extremamente engraçado e gente boa; tivemos aula de Língua Portuguesa também, professora igualmente engraçada, muito gente boa, divertidíssima. Tivemos Redação, a professora tem um tipo de humor bastante diferente, mas que eu apreciei deveras. Ela vive nos contando os apertos pelos quais ela passa, as situações mais terríveis e improváveis (tudo culpa do azar, realmente), mas que para nós, meros alunos, é extremamente engraçado; me identifiquei com ela por isso: ambos somos azarados.”
O meu quarto é como uma cidade antiga em ruínas. Quanto mais eu mexo nele, mais coisas interessantes eu acho. Talvez esse texto não seja realmente interessante, acho que não é. Mas é como se eu visse uma outra pessoa, um outro eu, de muito tempo atrás; são lembranças de como eu era. Sim, de como eu era, pois eu, você, todos, mudamos a todo instante que passa. De qualquer maneira, acho melhor eu voltar com os contos, e acho melhor eu me servir logo de café e biscoito antes que meu estômago berre de tanta fome.
Faz pouquíssimo tempo que as aulas começaram. Ainda é junho. Na verdade, o tempo está passando rápida ou lentamente? Eu juro que não faço idéia. Só sei que no fim do ano eu direi ‘Nossa, vejam, já estamos em dezembro, como o ano passou rápido’. Eu sempre digo isso, todos sempre dizem também (não exatamente com as mesmas palavras, é claro). Acontece que eu já fiz amizades. Não, eu não fiz amizades, não são meus amigos. Colegas, eu os chamaria; colegas...
Logo no primeiro dia de aula eu fiz duas amizades. Amizade não, droga! É a falta de uma outra palavra que me faz escrever ‘amizade’ toda hora. Bom, eu só sei que daqui há alguns meses — quem sabe semanas? — eu, provavelmente, muito provavelmente, já não estarei falando com nenhum desses meus novos colegas. Bom, na verdade, só fiz duas colegas. Sim, duas. Garotas, sabe? Um amigo meu (amigo mesmo) está na mesma sala que eu; isso é bom, eu acho. Acho que eu já mencionei essas garotas antes, e esse meu amigo. Sei lá, sabe que nunca fui bom em me lembrar das coisas, e não estou mesmo com disposição para ler as outras escrituras minhas, as anteriores.
É engraçado isso: tem pessoas com quem realmente nos damos bem, nos identificamos, e outras com quem nos irritamos logo de cara. É coisa do cérebro, isso? Quero dizer, como é possível julgarmos alguém assim? Só de olharmos, só de ouvirmos falar uma coisa, ou de fazer alguma coisa. Sei lá, tem impressões, na verdade, que realmente nunca mudam. Dizem que é a primeira impressão que fica, mas não concordo muito com isso. Juro para você que tinha meninas, no primeiro dia de aula, por quem senti uma forte atração, mas que hoje, no meio de junho, já tendo passado um bom tempo na mesma sala que elas, eu já nem vejo mais tanta beleza e simpatia. Aposto que isso acontece com os outros também; ou será que não? Bom, nos primeiros dia de aula, juro que uma das garotas com quem fiz colegagem (sim, eu acabei de inventar este termo) achava meu amigo de outro colégio um cara legal e bonito, mas hoje simplesmente já não sente vontade nem de se aproximar dele para conversar.
Não pretendo ficar aqui muito mais tempo, só queria escrever esses pensamentos que acabaram ficando presos na minha cabeça ao decorrer do dia de hoje, após presenciar certas cenas e ouvir certas coisas. Mas para resumir meu dia em uma só palavra, acho que eu escolheria a palavra ‘divertido’. Hoje foi quinta-feira, tivemos aula de História Geral, o professor é extremamente engraçado e gente boa; tivemos aula de Língua Portuguesa também, professora igualmente engraçada, muito gente boa, divertidíssima. Tivemos Redação, a professora tem um tipo de humor bastante diferente, mas que eu apreciei deveras. Ela vive nos contando os apertos pelos quais ela passa, as situações mais terríveis e improváveis (tudo culpa do azar, realmente), mas que para nós, meros alunos, é extremamente engraçado; me identifiquei com ela por isso: ambos somos azarados.”
O meu quarto é como uma cidade antiga em ruínas. Quanto mais eu mexo nele, mais coisas interessantes eu acho. Talvez esse texto não seja realmente interessante, acho que não é. Mas é como se eu visse uma outra pessoa, um outro eu, de muito tempo atrás; são lembranças de como eu era. Sim, de como eu era, pois eu, você, todos, mudamos a todo instante que passa. De qualquer maneira, acho melhor eu voltar com os contos, e acho melhor eu me servir logo de café e biscoito antes que meu estômago berre de tanta fome.
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Fragmentos de vida #1
“- 15de Março de 2010 – 09:32 PM
Eu tinha acabado de chegar a minha casa. Não havia muito que fazer, meus pais estavam fora, meu irmão mais velho chegaria logo da escola, o mais novinho estava no colégio. Eu fui até meu quarto e joguei a mochila em cima da cama. Tirei o uniforme, tomei banho, pus uma roupa folgada, aquelas de ficar em casa. Saí para o corredor. Lá estava meu irmão, com ar de cansado, indo para seu quarto. Cumprimentamos-nos rapidamente, ele entrou, eu fui para a sala. Esperaria por ele para almoçarmos juntos, embora eu já estivesse com fome. Sentei-me no sofá da sala de estar, e, então, eu vi o armário de vinhos do meu pai. Era um armário grande, no alto, na parede esquerda da sala, logo ao lado da parede onde ficava a televisão. Reparei que havia quase vinte garrafas de vinho lá. Por que meus pais nunca bebiam tudo aquilo? Ele vivia ganhando todo ano, perto do Natal, uma garrafa daquelas. Levantei-me e fui até lá. Analisei algumas, tomando o maior cuidado do mundo, e percebi que um dos vinhos era italiano; outro era da Argentina. Havia ainda um de Portugal. Todos eles tinham escrito “Vinho fino” na pequena embalagem que os cercava. Eu nunca bebera vinho na vida, e nunca bebi até hoje, acho. Ah, não, minto. Bebi na festa de Réveillon do ano passado, mas era um vinho que mais se parecia com soda, agora não me recordo o nome. Talvez algum dia eu venha a beber um vinho tinto, acho que esse é o nome para aqueles vinhos vermelhos, ou escuros, como preferir, que minha avó por parte de mãe tanto gosta. É, talvez eu devesse visitá-la alguns dias com todas aquelas garrafas e lhe presenteasse; ela ficaria bastante contente, e teríamos menos coisas inúteis na casa. Mas acho que isso não seria tão legal, afinal, se nós temos um Armário para Vinhos (não é uma adega, mas mesmo um armário para se guardar vinhos), acho melhor termos vinho para guardar nele. Acho que essa foi mesmo o melhor pensamento que tive no dia de hoje, não quero escrever mais nada aqui. Ocuparia muitas linhas com coisas inúteis que vivencio.”
Achei esse fragmento de vida enquanto revirava todos os montes de papéis no meu quarto hoje. Data lá pro início do ano, nem lembrava mais, mas acho que até julho eu vivia escrevendo esse tipo de coisa. Decidi postar aqui, achei legal. Espero que goste, leitor, espero que ria, sei lá, qualquer coisa que o entretenha.
Eu tinha acabado de chegar a minha casa. Não havia muito que fazer, meus pais estavam fora, meu irmão mais velho chegaria logo da escola, o mais novinho estava no colégio. Eu fui até meu quarto e joguei a mochila em cima da cama. Tirei o uniforme, tomei banho, pus uma roupa folgada, aquelas de ficar em casa. Saí para o corredor. Lá estava meu irmão, com ar de cansado, indo para seu quarto. Cumprimentamos-nos rapidamente, ele entrou, eu fui para a sala. Esperaria por ele para almoçarmos juntos, embora eu já estivesse com fome. Sentei-me no sofá da sala de estar, e, então, eu vi o armário de vinhos do meu pai. Era um armário grande, no alto, na parede esquerda da sala, logo ao lado da parede onde ficava a televisão. Reparei que havia quase vinte garrafas de vinho lá. Por que meus pais nunca bebiam tudo aquilo? Ele vivia ganhando todo ano, perto do Natal, uma garrafa daquelas. Levantei-me e fui até lá. Analisei algumas, tomando o maior cuidado do mundo, e percebi que um dos vinhos era italiano; outro era da Argentina. Havia ainda um de Portugal. Todos eles tinham escrito “Vinho fino” na pequena embalagem que os cercava. Eu nunca bebera vinho na vida, e nunca bebi até hoje, acho. Ah, não, minto. Bebi na festa de Réveillon do ano passado, mas era um vinho que mais se parecia com soda, agora não me recordo o nome. Talvez algum dia eu venha a beber um vinho tinto, acho que esse é o nome para aqueles vinhos vermelhos, ou escuros, como preferir, que minha avó por parte de mãe tanto gosta. É, talvez eu devesse visitá-la alguns dias com todas aquelas garrafas e lhe presenteasse; ela ficaria bastante contente, e teríamos menos coisas inúteis na casa. Mas acho que isso não seria tão legal, afinal, se nós temos um Armário para Vinhos (não é uma adega, mas mesmo um armário para se guardar vinhos), acho melhor termos vinho para guardar nele. Acho que essa foi mesmo o melhor pensamento que tive no dia de hoje, não quero escrever mais nada aqui. Ocuparia muitas linhas com coisas inúteis que vivencio.”
Achei esse fragmento de vida enquanto revirava todos os montes de papéis no meu quarto hoje. Data lá pro início do ano, nem lembrava mais, mas acho que até julho eu vivia escrevendo esse tipo de coisa. Decidi postar aqui, achei legal. Espero que goste, leitor, espero que ria, sei lá, qualquer coisa que o entretenha.
Marcadores:
armário de vinho,
fragmento,
irmãos,
vida,
vinho
sábado, novembro 27, 2010
Supertramp - The logical song (texto)
Quando eu era jovem, parecia que a vida era tão maravilhosa, um milagre, é, ela era tão bonita, mágica. E todos os pássaros nas árvores cantavam felizes, alegres, brincalhões, me observando. Mas então eles me mandaram embora para me ensinar a ser sensato, para me ensinar a ser lógico, responsável, prático. Mostraram-me um mundo onde eu poderia ser muito dependente, doentio, cínico. Todavia, tem vezes que, quando todo o mundo dorme, as questões seguem profundas demais. Alguém aí me diga o que aprendemos, por favor. Eu sei que soa um absurdo, mas alguém, por favor, faria a gentileza de dizer quem eu sou?
Mas devemos ter cuidado com o que dizemos, ou então eles nos chamam de radicais, de liberais, até criminosos. E você, vai assinar seu nome? Eles gostariam de sentir que você é aceitável, respeitável, e com certeza apresentável. Um verdadeiro vegetal!
E à noite, quando todo o mundo dorme, as questões ficam ainda mais profundas para um homem simples como eu. Você me dirá o que aprendemos com tudo isso? Quero dizer, isso realmente soa absurdo. Transformar-se em algo apresentável, em algo aceitável por todos, tornar-se dependente cada vez mais de um mundo que só afunda e afunda. Qual a verdadeira graça em seguir as regras e prender-se a um mundo como o de hoje? Por que a vida não pode ser sempre (ou ao menos parecer sempre) uma maravilha, um milagre, uma beleza? Onde está toda a magia? Onde se encontram agora os pássaros que cantam nas árvores?
Pergunto novamente: e você aí, irá assinar seu nome nessa lista de apresentáveis, perfeitos e... vegetais?
Supertramp - The logical song
Mas devemos ter cuidado com o que dizemos, ou então eles nos chamam de radicais, de liberais, até criminosos. E você, vai assinar seu nome? Eles gostariam de sentir que você é aceitável, respeitável, e com certeza apresentável. Um verdadeiro vegetal!
E à noite, quando todo o mundo dorme, as questões ficam ainda mais profundas para um homem simples como eu. Você me dirá o que aprendemos com tudo isso? Quero dizer, isso realmente soa absurdo. Transformar-se em algo apresentável, em algo aceitável por todos, tornar-se dependente cada vez mais de um mundo que só afunda e afunda. Qual a verdadeira graça em seguir as regras e prender-se a um mundo como o de hoje? Por que a vida não pode ser sempre (ou ao menos parecer sempre) uma maravilha, um milagre, uma beleza? Onde está toda a magia? Onde se encontram agora os pássaros que cantam nas árvores?
Pergunto novamente: e você aí, irá assinar seu nome nessa lista de apresentáveis, perfeitos e... vegetais?
Supertramp - The logical song
Marcadores:
magia,
mundo nojento,
supertramp,
texto,
the logical song,
vegetais
segunda-feira, novembro 22, 2010
I am back
Sentei-me à cadeira do computador e suspirei. Alguns minutos após o uso da máquina, descobri pelo manuseio que o mouse se encontra em péssimo estado: trava a todo momento. Assim que acessei meu Messenger, algumas janelas chamaram. A algumas eu não dei tanta atenção, a outras eu dei tanta atenção quanto um mendigo daria a um saco com barras de ouro. Em seguida eu cliquei no navegador, a página inicial de sempre abriu. De sempre... É, de sempre, mas fazia algum tempo que eu não a via realmente.
Pensei no que eu procuraria. Ah, ora, eu estava livre para pesquisar qualquer coisa que eu quisesse, por mais boba que fosse. Lá na barra de endereços, eu digitei o primeiro site que me veio a mente. Assim que a página abriu, a música começou. Música clássica. Tanto tempo que eu não a escutava. Em seguida li o título "Doçaria do Manoel". Senti-me em casa. Por algum motivo, criei um certo laço emocional com esse blog; talvez seja pelo fato de eu postar meus pensamentos, meus contos, minhas ideias, e tudo isso através do que mais gosto: textos. Algumas vezes até imagens. Percebi que eu não escrevi algo fazia bastante tempo, mas eu não estava realmente com ideias, então decidi por escrever qualquer coisa. Qualquer coisa que viesse à cabeça. Dei pausa na música clássica e decidi escutar um rock. Olhei que me chamavam no Messenger, era ela. Ela que também havia acabado de "voltar"; voltar de tanto tempo que estivera "fora". Pelo menos fora de minha vida...
Eu gostaria de deixar uma mensagem bonita ao fim dessa postagem, mas a única coisa que posso dizer (e não é nada bonita ou comovente) é "I am back".
Pensei no que eu procuraria. Ah, ora, eu estava livre para pesquisar qualquer coisa que eu quisesse, por mais boba que fosse. Lá na barra de endereços, eu digitei o primeiro site que me veio a mente. Assim que a página abriu, a música começou. Música clássica. Tanto tempo que eu não a escutava. Em seguida li o título "Doçaria do Manoel". Senti-me em casa. Por algum motivo, criei um certo laço emocional com esse blog; talvez seja pelo fato de eu postar meus pensamentos, meus contos, minhas ideias, e tudo isso através do que mais gosto: textos. Algumas vezes até imagens. Percebi que eu não escrevi algo fazia bastante tempo, mas eu não estava realmente com ideias, então decidi por escrever qualquer coisa. Qualquer coisa que viesse à cabeça. Dei pausa na música clássica e decidi escutar um rock. Olhei que me chamavam no Messenger, era ela. Ela que também havia acabado de "voltar"; voltar de tanto tempo que estivera "fora". Pelo menos fora de minha vida...
Eu gostaria de deixar uma mensagem bonita ao fim dessa postagem, mas a única coisa que posso dizer (e não é nada bonita ou comovente) é "I am back".
quinta-feira, novembro 04, 2010
Doçaria do Manoel
Já era tarde da noite quando ele atravessou a rua de sua casa. Não havia muitos carros na rua, nem muitas pessoas, apenas alguns mendigos; e também uns bêbados que voltavam cambaleantes para suas casas. Olhou o relógio e viu sob a luz do poste que era uma e trinta e três da matina, e lá estava ele atravessando a rua de sua casa, com um destino certo.
Não sabia se valia tanto a pena assim ter se arrumado, saído no frio da noite, encontrado pessoas estranhas, e ter corrido o risco de ser assaltado ou morto por uma coisa boba como aquela que ele queria. Mas não conseguia dormir sem essa coisa, não conseguia de jeito nenhum! Sabia que era psicológico, mas o que fazer em relação àquilo?
Continuou seu caminho sem nenhuma interrupção, chegou ao destino. Entrou na loja vazia e agradeceu a Deus por ela ficar aberta vinte e quatro horas. Pensou nos empregados que trabalhavam ali, com certeza havia alguém (aquele cara ali atrás do balcão) que trocava de turno com outra pessoa. Não era humanamente possível alguém ficar acordado noites à fio durante quase uma semana... Bom, ele quase conseguia essa proeza de vez em quando.
Olhou pelas prateleiras, temeu não conseguir achar o que procurava, mas então seus olhos fitaram o objeto. Era uma barra de chocolate (eu não faço idéia se uma barra de chocolate é um objeto, acredito que seja, mas foi a palavra que encontrei ali na hora). Sorriu e a pegou. Foi até o caixa e deu um boa-noite animado, que o homem respondeu monotonamente, mas ele não se importou. Pagou e desembrulhou o chocolate, mordendo-o antes mesmo de sair da loja. Sentiu um alívio tremendo... Estava tentando há algumas semanas parar com a maluquice de ter de comer chocolate antes de ir se deitar para dormir, mas era impossível. Voltou para casa tranquilamente, tudo lhe parecera mais bonito. Abriu a porta de sua residência, entrou, trancou. Subiu até seu quarto, terminou de comer, jogou a embalagem na cabeceira da cama e escovou os dentes. Foi para a cama e deitou. Acordou algumas horas depois, sentindo um enjôo terrível, foi ao banheiro e vomitou. Assustado, pegou a embalagem do chocolate e foi ler a validade: 04/11/2007. Tinha duas opções: parar de vez com toda aquela maluquice de chocolate, ou processar a Doçaria do Manoel.
Não sabia se valia tanto a pena assim ter se arrumado, saído no frio da noite, encontrado pessoas estranhas, e ter corrido o risco de ser assaltado ou morto por uma coisa boba como aquela que ele queria. Mas não conseguia dormir sem essa coisa, não conseguia de jeito nenhum! Sabia que era psicológico, mas o que fazer em relação àquilo?
Continuou seu caminho sem nenhuma interrupção, chegou ao destino. Entrou na loja vazia e agradeceu a Deus por ela ficar aberta vinte e quatro horas. Pensou nos empregados que trabalhavam ali, com certeza havia alguém (aquele cara ali atrás do balcão) que trocava de turno com outra pessoa. Não era humanamente possível alguém ficar acordado noites à fio durante quase uma semana... Bom, ele quase conseguia essa proeza de vez em quando.
Olhou pelas prateleiras, temeu não conseguir achar o que procurava, mas então seus olhos fitaram o objeto. Era uma barra de chocolate (eu não faço idéia se uma barra de chocolate é um objeto, acredito que seja, mas foi a palavra que encontrei ali na hora). Sorriu e a pegou. Foi até o caixa e deu um boa-noite animado, que o homem respondeu monotonamente, mas ele não se importou. Pagou e desembrulhou o chocolate, mordendo-o antes mesmo de sair da loja. Sentiu um alívio tremendo... Estava tentando há algumas semanas parar com a maluquice de ter de comer chocolate antes de ir se deitar para dormir, mas era impossível. Voltou para casa tranquilamente, tudo lhe parecera mais bonito. Abriu a porta de sua residência, entrou, trancou. Subiu até seu quarto, terminou de comer, jogou a embalagem na cabeceira da cama e escovou os dentes. Foi para a cama e deitou. Acordou algumas horas depois, sentindo um enjôo terrível, foi ao banheiro e vomitou. Assustado, pegou a embalagem do chocolate e foi ler a validade: 04/11/2007. Tinha duas opções: parar de vez com toda aquela maluquice de chocolate, ou processar a Doçaria do Manoel.
domingo, outubro 31, 2010
Foto do dia - Halloween
A história do Halloween
Jack era grosseiro, desleixado e não via motivos para tratar qualquer um diferente de como tratava um repugnante inseto. Além disso, Jack era um malandro bêbado e pobre, mas esperto em demasia. Apesar disso tudo, o homem conseguira uma bela e amável esposa e bonitos e inteligentes filhos. Estava ele, no dia de 31 de Outubro, entrando em um bar. Xingou, berrou, empurrou, sentou. Pediu uma cerveja; outra; outra; e outra cerveja. Não entendeu bem o que estava acontecendo, mas quando olhou para o lado, o Diabo lhe cumprimentou. Assustado, Jack perguntou o que estava havendo; e o Diabo lhe disse que estava na hora dele partir.
Jack parou, pensou um pouco em certas coisas, e por fim disse que gostaria de mais uma cerveja. Sem muito que fazer, o Diabo concordou, mas como Jack já não tinha dinheiro para pagar, o demônio transformou-se em uma moeda, e esperto como só Jack sabia ser, pôs a moeda dentro do bolso de sua calça, e lá dentro havia um terço com a imagem de uma cruz. O Jack disse que só tiraria o Diabo dali se o mesmo lhe desse mais um ano de vida, sem muita escolha, o demônio concordou. Durante esse um ano de vida que lhe restava, Jack mudou como da água para o vinho: cuidou da aparência, abandonou o álcool, foi gentil e amoroso com sua esposa e filhos, arranjou um emprego, foi à igreja, rezou pelos pais mortos e fez até caridades. Mas o dia 31 de Outubro chegou, e nesse dia o Diabo lembrou-se de Jack. Apareceu repentinamente enquanto Jack passeava por um parque. Contente com a vida que levava, Jack foi esperto mais uma vez: pediu que o Diabo lhe pegasse uma maçã no topo de uma árvore, inocente como o Diabo jamais fora, ele o fez. Quando chegou no topo da árvore, Jack riscou, com um giz, uma cruz no chão, impedindo que o Diabo descesse. A criatura concordou em voltar mais uma vez dali a um ano ou dez, mas o Jack ordenou que o Diabo nunca mais aparecesse na sua frente e nunca mais lhe incomodasse, e assim foi feito.
No entanto, o nosso querido protagonista veio a falecer (e exatamente no dia 31 de Outubro), como era de se esperar. Chegando ao Paraíso, ele não foi aceito por Deus por ter feito acordos e “parcerias” com o anjo traidor, o Diabo; já no Inferno, Jack pediu para entrar, mas por causa do acordo que fizera, Diabo não pôde aceitá-lo e pediu para que um servo fosse avisar isso ao homem. Triste e sem rumo, Jack pegou um toco de vela, o acendeu, tirou todo o conteúdo de uma abóbora qualquer, fez alguns buracos nela, e pôs a vela lá dentro, para poder iluminar seu caminho pelo Mundo dos Mortos.
Reza a lenda que, até hoje, se você for a alguma floresta abandonada no dia de Halloween, pode ser que tenha a sorte de ver uma pequena luz bem ao longe; dizem que é Jack procurando um lugar para viver.
Jack parou, pensou um pouco em certas coisas, e por fim disse que gostaria de mais uma cerveja. Sem muito que fazer, o Diabo concordou, mas como Jack já não tinha dinheiro para pagar, o demônio transformou-se em uma moeda, e esperto como só Jack sabia ser, pôs a moeda dentro do bolso de sua calça, e lá dentro havia um terço com a imagem de uma cruz. O Jack disse que só tiraria o Diabo dali se o mesmo lhe desse mais um ano de vida, sem muita escolha, o demônio concordou. Durante esse um ano de vida que lhe restava, Jack mudou como da água para o vinho: cuidou da aparência, abandonou o álcool, foi gentil e amoroso com sua esposa e filhos, arranjou um emprego, foi à igreja, rezou pelos pais mortos e fez até caridades. Mas o dia 31 de Outubro chegou, e nesse dia o Diabo lembrou-se de Jack. Apareceu repentinamente enquanto Jack passeava por um parque. Contente com a vida que levava, Jack foi esperto mais uma vez: pediu que o Diabo lhe pegasse uma maçã no topo de uma árvore, inocente como o Diabo jamais fora, ele o fez. Quando chegou no topo da árvore, Jack riscou, com um giz, uma cruz no chão, impedindo que o Diabo descesse. A criatura concordou em voltar mais uma vez dali a um ano ou dez, mas o Jack ordenou que o Diabo nunca mais aparecesse na sua frente e nunca mais lhe incomodasse, e assim foi feito.
No entanto, o nosso querido protagonista veio a falecer (e exatamente no dia 31 de Outubro), como era de se esperar. Chegando ao Paraíso, ele não foi aceito por Deus por ter feito acordos e “parcerias” com o anjo traidor, o Diabo; já no Inferno, Jack pediu para entrar, mas por causa do acordo que fizera, Diabo não pôde aceitá-lo e pediu para que um servo fosse avisar isso ao homem. Triste e sem rumo, Jack pegou um toco de vela, o acendeu, tirou todo o conteúdo de uma abóbora qualquer, fez alguns buracos nela, e pôs a vela lá dentro, para poder iluminar seu caminho pelo Mundo dos Mortos.
Reza a lenda que, até hoje, se você for a alguma floresta abandonada no dia de Halloween, pode ser que tenha a sorte de ver uma pequena luz bem ao longe; dizem que é Jack procurando um lugar para viver.
quinta-feira, outubro 28, 2010
Esquecimento
O despertador do celular tocou apenas uma vez. Foi o suficiente para me fazer acordar. Como sempre, abri os olhos antes mesmo de minha consciência “acordar”. Olhei ao redor, vi meu quarto. Espreguicei-me, continuei ali mais uns minutos, sentei-me na cama. Afastei logo o cobertor, eu estava com calor, embora o ventilador estivesse ligado. Pus os pés no chão frio, lembrei-me de minha mãe e meu pai que sempre reclamavam por eu andar descalço, tateei o chão com os pés, mas não encontrei os chinelos, então me levantei assim mesmo. Abri a porta do quarto, passei vagarosamente pelo corredor, entrei no banheiro e me olhei no espelho. Um cara jovem, com os cabelos comumente bagunçados, os olhos inchados (eu acabara de acordar, ora essa!), e uma expressão de ressaca. Senti como se estivesse esquecendo de alguma coisa, como se faltasse algo, mas ignorei. Lavei meus olhos com água, peguei a toalha e me sequei; já seco, lavei o rosto com o sabonete, enxagüei, peguei a toalha e sequei; mais uma vez livre de toda a água, comecei a escovar os dentes. Para qualquer um que não me conheça, essa minha mania pode parecer completamente bizarra, mas é assim que eu sou. Faço praticamente a mesma coisa no banho: passo o xampu no cabelo, faço a espuma, em seguida enxáguo as mãos, então começo a tirar. O mesmo ocorre com o creme (creme, condicionador, o que seja).
Em seguida eu fui ao quarto e troquei de roupa, embora tivesse quase certeza de que passaria o dia todo em casa sem fazer nada. Escolhi uma blusa azul bem simples, uma calça jeans velha. Conferi todas as janelas do apartamento, a porta, e então liguei o ar-condicionado central. Sim, eu tinha um. Fui à cozinha e abri a geladeira: não havia muita coisa. Havia suco, havia água, havia gelatina; havia também algumas frutas, iogurte, manteiga, requeijão, presunto e um saco de biscoito. Fiquei parado um tempo encarando o saco de biscoito e me perguntei por que eu o colocaria dentro da geladeira. Tirei-o de lá e o joguei na pia. Peguei a manteiga e o presunto e pus na mesa, fui até o armário de madeira e peguei o pão de forma. Poucos minutos depois e eu estava comendo um saboroso misto-quente, acompanhado de uma bela xícara de um café bem forte. Pensei em quando sairia daquele apartamento e iria para uma casa de verdade. Pus a mão na boca e bocejei (modéstia à parte, mesmo sozinho eu tenho educação). Pensei também se algum dia me casaria, se algum dia teria filhos. Não era o meu feitio: não mesmo! Mas imaginei que uma hora eu me cansaria de tudo, arranjaria uma esposa perfeita para mim, teria filhos e então curtiria o resto da vida escrevendo pequenos contos para eles e publicando-os nas editoras. Minha esposa deveria ter um emprego estável, mas um que ela gostasse e se sentisse bem nele. Formaríamos uma banda de família, onde eu com certeza tocaria um piano. Minha esposa talvez pudesse tocar violino, ou talvez violão, ou quem sabe bateria até. Um de nossos filhos (caso tenhamos mais de um) teria de fazer o vocal. Ri bobamente ao me pegar pensando naquelas coisas. Queimei o céu da boca com o misto-quente ainda quente e tomei depressa o café para ver se passava a dor, mas só piorou. Café quente, não é mesmo...?
Acabei por ser obrigado a me levantar e pegar um copo de água gelada. Olhei para um papelzinho preso na geladeira, estava escrito em uma letra bonita, caprichada: Tive de sair cedo, beijos. Eu conhecia aquela letra, era dela. Ah, então era isso que estava faltando: a sua companhia.
Em seguida eu fui ao quarto e troquei de roupa, embora tivesse quase certeza de que passaria o dia todo em casa sem fazer nada. Escolhi uma blusa azul bem simples, uma calça jeans velha. Conferi todas as janelas do apartamento, a porta, e então liguei o ar-condicionado central. Sim, eu tinha um. Fui à cozinha e abri a geladeira: não havia muita coisa. Havia suco, havia água, havia gelatina; havia também algumas frutas, iogurte, manteiga, requeijão, presunto e um saco de biscoito. Fiquei parado um tempo encarando o saco de biscoito e me perguntei por que eu o colocaria dentro da geladeira. Tirei-o de lá e o joguei na pia. Peguei a manteiga e o presunto e pus na mesa, fui até o armário de madeira e peguei o pão de forma. Poucos minutos depois e eu estava comendo um saboroso misto-quente, acompanhado de uma bela xícara de um café bem forte. Pensei em quando sairia daquele apartamento e iria para uma casa de verdade. Pus a mão na boca e bocejei (modéstia à parte, mesmo sozinho eu tenho educação). Pensei também se algum dia me casaria, se algum dia teria filhos. Não era o meu feitio: não mesmo! Mas imaginei que uma hora eu me cansaria de tudo, arranjaria uma esposa perfeita para mim, teria filhos e então curtiria o resto da vida escrevendo pequenos contos para eles e publicando-os nas editoras. Minha esposa deveria ter um emprego estável, mas um que ela gostasse e se sentisse bem nele. Formaríamos uma banda de família, onde eu com certeza tocaria um piano. Minha esposa talvez pudesse tocar violino, ou talvez violão, ou quem sabe bateria até. Um de nossos filhos (caso tenhamos mais de um) teria de fazer o vocal. Ri bobamente ao me pegar pensando naquelas coisas. Queimei o céu da boca com o misto-quente ainda quente e tomei depressa o café para ver se passava a dor, mas só piorou. Café quente, não é mesmo...?
Acabei por ser obrigado a me levantar e pegar um copo de água gelada. Olhei para um papelzinho preso na geladeira, estava escrito em uma letra bonita, caprichada: Tive de sair cedo, beijos. Eu conhecia aquela letra, era dela. Ah, então era isso que estava faltando: a sua companhia.
Marcadores:
Basket Case,
blog,
casamento,
companhia,
despertador,
ela,
esposa,
esquecimento,
filhos,
Green Day,
Pontas
quinta-feira, outubro 21, 2010
A má sorte em um dia simples
Andava tranquilamente pelas ruas molhadas. Via as pessoas passando depressa, com seus guarda-chuvas — embora não chovesse realmente. O vento frio atravessava seu casaco grosso, sua blusa de manga cumprida, sua pele, e chegava até seus ossos, congelando-os. Ele sentia-se por inteiro gelado.
Dobrou a esquina e pisou em uma poça d’água. Reclamou baixinho e sacudiu seu pé, sorte que o tênis o protegera da água suja e fria. Continuou seu percurso, no entanto, parou no meio da calçada, alguns segundos depois: observou as belas e antigas casas, sorriu ao ver os lampiões velhos, e continuou.
Para a sua sorte (bom, era o que ele chamava de sorte) não encontrou ninguém conhecido nas ruas que levavam até sua casa, o que permitiu que ele pudesse pensar melhor e analisar com mais eficácia os lugares por onde passava. Olhou para o céu e viu nuvens muito cinzas e muito densas: elas logo chorariam, molhando toda a cidade. Estava cada vez mais perto de isso acontecer.
Viu uma mulher com um guarda-chuva muito grande nas mãos atravessar a rua ligeiramente e entrar na sua frente. Os dois seguiram pelo mesmo caminho por um tempo, ela era bonita. Ele imaginou se teria alguma chance; sabia que não, tinha quase certeza, sabia que algo no último momento aconteceria e atrapalharia tudo; mesmo assim ele tentou. “Ei”, ele disse, mas ela aparentemente não o escutara, apressou o passo e esticou a mão, ia foi tocá-la, preparou um sorriso, mas a moça virou à sua esquerda e parou diante de um portão. Ele não esperava por isso, então continuou andando, a mão esticada bobamente para frente, olhou para frente e a viu tirar um molho de chaves do bolso interno de seu casaco. Ela abriu o portãozinho de ferro e passou, trancando-o em seguida. Ele reclamou mentalmente, abaixou a cabeça e pôs as mãos no bolso do casaco. Mais uma vez, o azar o encontrara.
Dobrou a esquina e pisou em uma poça d’água. Reclamou baixinho e sacudiu seu pé, sorte que o tênis o protegera da água suja e fria. Continuou seu percurso, no entanto, parou no meio da calçada, alguns segundos depois: observou as belas e antigas casas, sorriu ao ver os lampiões velhos, e continuou.
Para a sua sorte (bom, era o que ele chamava de sorte) não encontrou ninguém conhecido nas ruas que levavam até sua casa, o que permitiu que ele pudesse pensar melhor e analisar com mais eficácia os lugares por onde passava. Olhou para o céu e viu nuvens muito cinzas e muito densas: elas logo chorariam, molhando toda a cidade. Estava cada vez mais perto de isso acontecer.
Viu uma mulher com um guarda-chuva muito grande nas mãos atravessar a rua ligeiramente e entrar na sua frente. Os dois seguiram pelo mesmo caminho por um tempo, ela era bonita. Ele imaginou se teria alguma chance; sabia que não, tinha quase certeza, sabia que algo no último momento aconteceria e atrapalharia tudo; mesmo assim ele tentou. “Ei”, ele disse, mas ela aparentemente não o escutara, apressou o passo e esticou a mão, ia foi tocá-la, preparou um sorriso, mas a moça virou à sua esquerda e parou diante de um portão. Ele não esperava por isso, então continuou andando, a mão esticada bobamente para frente, olhou para frente e a viu tirar um molho de chaves do bolso interno de seu casaco. Ela abriu o portãozinho de ferro e passou, trancando-o em seguida. Ele reclamou mentalmente, abaixou a cabeça e pôs as mãos no bolso do casaco. Mais uma vez, o azar o encontrara.
quarta-feira, outubro 20, 2010
O azar
Wikipédia: Originado do árabe azzahar, o termo azar é utilizado com várias significações.
O meu significado é: sou um fodido.
Desculpe pelo palavriado, leitor, mas é o que penso sobre mim — ou pelo menos em relação à minha sorte. Não tenho sorte. São raras as vezes em que algo de grande significado acontece comigo: todos viajam, eu não; todos ganham coisas legais, eu não; todos conseguem passar de ano direto, eu não; todos sabem chegar em garotas, eu não (embora isso não afete em nada na minha vida e eu não tenha tanta questão de saber fazer).
Desde pequeno esse evento da má sorte me persegue, mas eu nunca fui tão esperto para perceber por que eu sempre me ferrava. No colégio era exatamente assim: alguém me chamava na hora da explicação do professor, eu ignorava, chamavam outra vez, eu ignorava, chamavam de novo, e quando eu virava para dizer “Poxa, me deixa!”, o professor olhava para mim e dizia: “Gabriel, saia de sala por conversa!” Mas e o outro que estava me chamando? Ele não vai? Professor pilantra!
Bom, não era tão direto assim, os professores geralmente ficavam me questionando, perguntando por que eu estava conversando. Eu explicava, mas nunca acreditavam em mim. Você pode pensar, leitor: “Ah, mas isso é normal!”. Ah, claro, mas e se acontecer durante três anos praticamente todos os dias? Chamo de azar.

Passava horas sentado numa cadeirinha dessa por coisa que eu não fazia
Agora também me recordo dos meus muitos tombos, tropeços e mancadas. Já fiz muita merda na infância, a maioria sem querer: sempre me ferrava no final. Sabe, lembro das vezes que tentava consertar algo; às vezes eu dava umas mancadas com alguma garota, tentava consertar dizendo palavras bonitas, mas nada ia ao meu favor. Muitas pessoas falam que é pelo meu jeito mal-humorado, tímido, quieto e pessimista, mas o que posso fazer para evitar o pensamento de que se eu ligar o ventilador na velocidade máxima a hélice pode desprender e arrancar minha cabeça? Ou que se eu descer a escada correndo eu posso tropeçar em um degrau e sair rolando e morrer? Ou que eu posso começar a gaguejar, suar, ou me dar um branco na hora de conversar com um menina ou fazer um prova?
Acontece que minha espécie de azarado é a pior: azarado pessimista. Tenho má sorte, mas ao invés de acreditar que algo, ALGUM DIA, pode dar certo, sou certo de que TUDO na minha vida só vai ser fod... ferrada.
Deve ser tudo culpa daquele gato preto da minha avó, que por azar é minha vizinha.
O meu significado é: sou um fodido.
Desculpe pelo palavriado, leitor, mas é o que penso sobre mim — ou pelo menos em relação à minha sorte. Não tenho sorte. São raras as vezes em que algo de grande significado acontece comigo: todos viajam, eu não; todos ganham coisas legais, eu não; todos conseguem passar de ano direto, eu não; todos sabem chegar em garotas, eu não (embora isso não afete em nada na minha vida e eu não tenha tanta questão de saber fazer).
Desde pequeno esse evento da má sorte me persegue, mas eu nunca fui tão esperto para perceber por que eu sempre me ferrava. No colégio era exatamente assim: alguém me chamava na hora da explicação do professor, eu ignorava, chamavam outra vez, eu ignorava, chamavam de novo, e quando eu virava para dizer “Poxa, me deixa!”, o professor olhava para mim e dizia: “Gabriel, saia de sala por conversa!” Mas e o outro que estava me chamando? Ele não vai? Professor pilantra!
Bom, não era tão direto assim, os professores geralmente ficavam me questionando, perguntando por que eu estava conversando. Eu explicava, mas nunca acreditavam em mim. Você pode pensar, leitor: “Ah, mas isso é normal!”. Ah, claro, mas e se acontecer durante três anos praticamente todos os dias? Chamo de azar.

Passava horas sentado numa cadeirinha dessa por coisa que eu não fazia
Agora também me recordo dos meus muitos tombos, tropeços e mancadas. Já fiz muita merda na infância, a maioria sem querer: sempre me ferrava no final. Sabe, lembro das vezes que tentava consertar algo; às vezes eu dava umas mancadas com alguma garota, tentava consertar dizendo palavras bonitas, mas nada ia ao meu favor. Muitas pessoas falam que é pelo meu jeito mal-humorado, tímido, quieto e pessimista, mas o que posso fazer para evitar o pensamento de que se eu ligar o ventilador na velocidade máxima a hélice pode desprender e arrancar minha cabeça? Ou que se eu descer a escada correndo eu posso tropeçar em um degrau e sair rolando e morrer? Ou que eu posso começar a gaguejar, suar, ou me dar um branco na hora de conversar com um menina ou fazer um prova?
Acontece que minha espécie de azarado é a pior: azarado pessimista. Tenho má sorte, mas ao invés de acreditar que algo, ALGUM DIA, pode dar certo, sou certo de que TUDO na minha vida só vai ser fod... ferrada.
Deve ser tudo culpa daquele gato preto da minha avó, que por azar é minha vizinha.
terça-feira, outubro 19, 2010
Segunda-feira
Acordei com um gosto estranho na boca. Abri os meus olhos e não vi muita coisa, eu estava tonto. Uma música persistente tocava ao lado de meu ouvido direito, e isso me deixava aturdido. Tentei me mexer, mas meu corpo não colaborava, o que me fez ficar deitado ali por mais alguns minutos. A música parou; no entanto, o gosto estranho permanecia ali na boca. Após uma drástica análise da noite passada, lembrei-me dos quatro copos de café até a boca, um café forte que só eu sabia fazer — mas aprendera com minha mãe. Olhei ao redor, mas minha cabeça doía e pesava, com algum esforço consegui me sentar na cama. Na minha escrivaninha havia lotes e mais lotes de papéis, todos escritos ou desenhados. Também havia várias canecas, todas escritas “Cooffe” ou “I love cooffe”. Vi um casaco pendurado na cadeira de rodinhas, estava quase caindo no chão. O ventilador estava ligado, alguns raios de sol entravam fracamente pela persiana. A música de antes voltou, só que parecia ainda mais alta pelo fato de eu estar consciente dela ali. Era um rock antigo que eu adorava, de uma banda antiga que eu também adorava. Aquela música me lembrou de um show da banda, alguns anos antes, que eu sonhara em ter ido, mas infelizmente, não pude.
Só então me dei conta de que estavam me ligando. Revirei os olhos, mas me arrependi: causou uma estranha sensação na testa. Eu odiava quando me ligavam, eu odiava conversar... eu odiava tudo. Mas, no mesmo instante, imaginei que pudesse ser meu pai dizendo para que eu fosse buscar meu irmão mais novo no colégio. “Merda, por que não ligam para o Prince?”, pensei, furioso. Pensei também que poderia ser uma outra pessoa especial; uma mulher, melhor dizendo, que há alguns anos era apenas uma menina que eu era apaixonado. “Ou talvez seja alguém me ligando para me falar que os zumbis resolveram aparecer hoje”, lamentei mentalmente por este último ter sido o único pensamento que me animou a atender o maldito do celular.
Afinal, era apenas um amigo chamando para ir a um baile. “Baile, ora, baile!”, eu respondi, “Sabe que odeio bailes, sabe que odeio lugares cheios e música alta”, meu amigo do outro lado apenas suspirou e riu em seguida. Nos despedimos. Joguei o celular entre o cobertor e me levantei cambaleante. Fui até o frigobar e peguei água. Fui até a janela, afastei a persiana e fiquei recostado no parapeito, observando a cidade. Aquela era apenas mais uma segunda-feira.
Só então me dei conta de que estavam me ligando. Revirei os olhos, mas me arrependi: causou uma estranha sensação na testa. Eu odiava quando me ligavam, eu odiava conversar... eu odiava tudo. Mas, no mesmo instante, imaginei que pudesse ser meu pai dizendo para que eu fosse buscar meu irmão mais novo no colégio. “Merda, por que não ligam para o Prince?”, pensei, furioso. Pensei também que poderia ser uma outra pessoa especial; uma mulher, melhor dizendo, que há alguns anos era apenas uma menina que eu era apaixonado. “Ou talvez seja alguém me ligando para me falar que os zumbis resolveram aparecer hoje”, lamentei mentalmente por este último ter sido o único pensamento que me animou a atender o maldito do celular.
Afinal, era apenas um amigo chamando para ir a um baile. “Baile, ora, baile!”, eu respondi, “Sabe que odeio bailes, sabe que odeio lugares cheios e música alta”, meu amigo do outro lado apenas suspirou e riu em seguida. Nos despedimos. Joguei o celular entre o cobertor e me levantei cambaleante. Fui até o frigobar e peguei água. Fui até a janela, afastei a persiana e fiquei recostado no parapeito, observando a cidade. Aquela era apenas mais uma segunda-feira.
Marcadores:
amigo,
baile,
blog,
café,
cafeína,
caneca de café,
escola,
Green Day,
irmãos,
merda,
música,
Pontas,
segunda-feira
domingo, outubro 17, 2010
sábado, outubro 16, 2010
O belo nascer do sol
O despertador tocou exatamente às quatro horas da manhã. Um despertador velho que achara numa antiga caixa no guarda-roupa de seus pais, lá achara também uma bela caneta bico de pena, e um anel muito bonito com palavras que ele não compreendia. Ele, então, abriu os olhos e levantou-se, estava agitado. Levou algum tempo para desligar o despertador: não tinha força suficiente para apertar o botão velho e emperrado. Em fim o menino conseguiu, e deixou o objeto jogado entre os dois cobertores que usava para dormir; a janela era ao lado de sua cama, então ele simplesmente colocou-se de joelhos e a abriu. E assim que o fez, sentiu um vento frio e forte entrar e jogar seus cabelos para trás, automaticamente ele fechou os olhos. Abriu-os novamente e olhou o céu já claro, viu algumas nuvens muito brancas, mas, obviamente, não viu mais nenhuma estrela. Pacientemente, ele esperou. Apoiou seu rosto nas mãos e ficou ali na janela de seu quarto, esperando por ele: o sol. Viu alguns pássaros passarem muito depressa, cantando na sua língua, sua misteriosa língua de pássaros; e então ocorreu. Foi um processo rápido, coisa de cinco minutos, mas ele aproveitou cada momento.
Por trás das nuvens uma luz extremamente forte nasceu. Automaticamente, as nuvens tornaram-se rosas; um rosa diferente. A luz estava meio disforme, não parecia aquele sol “redondinho” de sempre, estava “embaçado”, “torto”, mas era o sol. O grande astro ia subindo lentamente, muito lentamente, como se fosse aquele velhinho da rua debaixo quando estava andando pelo bairro: não tinha pressa de nada, e não tinha motivos para ter. O céu ao redor daquela luz tornou-se de um laranja claro, bonito. Aos poucos o sol foi tomando o seu lugar, foi subindo, subindo, iluminando tudo, iluminando aquela cidadezinha. Sua luz começou a perturbar o garoto, que insistiu e apenas pôs a mão na testa de modo que fizesse sombra em seus olhos, mas não saiu dali de jeito nenhum.
Mas, afinal, o nascer do sol acabou. Ele já assumira seu trono, já iluminara a cidade, já iluminara o menino, o quarto do menino; esquentara seu coração. O vento frio tornou a vir em direção ao garoto, mas, dessa vez, acompanhado de raios de sol, raios quentes que refletiam em seu rosto jovial e contente. Aquele era um bom motivo para se acordar cedo; aquele era um bom motivo para se viver. Sorriu, piscou, fechou os olhos, chorou. Chorou silenciosamente, chorou de felicidade; na verdade, não sabia ao certo por que chorara, mas não era de tristeza. Um menino de apenas oito anos não devia chorar por uma coisa boba daquelas. Ah, nem é um choro de verdade, ele pensou, são só lágrimas caindo. E realmente, eram somente algumas lágrimas escorrendo de seus olhos, nem era um choro; mas lembrou-se subitamente de seu avô, que morrera alguns anos antes. Ele estava em um belo lugar, talvez no camarote do show que é o nascer do sol.
Por trás das nuvens uma luz extremamente forte nasceu. Automaticamente, as nuvens tornaram-se rosas; um rosa diferente. A luz estava meio disforme, não parecia aquele sol “redondinho” de sempre, estava “embaçado”, “torto”, mas era o sol. O grande astro ia subindo lentamente, muito lentamente, como se fosse aquele velhinho da rua debaixo quando estava andando pelo bairro: não tinha pressa de nada, e não tinha motivos para ter. O céu ao redor daquela luz tornou-se de um laranja claro, bonito. Aos poucos o sol foi tomando o seu lugar, foi subindo, subindo, iluminando tudo, iluminando aquela cidadezinha. Sua luz começou a perturbar o garoto, que insistiu e apenas pôs a mão na testa de modo que fizesse sombra em seus olhos, mas não saiu dali de jeito nenhum.
Mas, afinal, o nascer do sol acabou. Ele já assumira seu trono, já iluminara a cidade, já iluminara o menino, o quarto do menino; esquentara seu coração. O vento frio tornou a vir em direção ao garoto, mas, dessa vez, acompanhado de raios de sol, raios quentes que refletiam em seu rosto jovial e contente. Aquele era um bom motivo para se acordar cedo; aquele era um bom motivo para se viver. Sorriu, piscou, fechou os olhos, chorou. Chorou silenciosamente, chorou de felicidade; na verdade, não sabia ao certo por que chorara, mas não era de tristeza. Um menino de apenas oito anos não devia chorar por uma coisa boba daquelas. Ah, nem é um choro de verdade, ele pensou, são só lágrimas caindo. E realmente, eram somente algumas lágrimas escorrendo de seus olhos, nem era um choro; mas lembrou-se subitamente de seu avô, que morrera alguns anos antes. Ele estava em um belo lugar, talvez no camarote do show que é o nascer do sol.
Marcadores:
blog,
choro,
despertador,
felicidade,
grande astro,
nascer do sol,
pássaros,
Pontas,
sol
Mais uma vez, os fios...
O carro andava muito depressa. No banco de trás, os dois irmãos estavam bem quietos, cada um com seus fones de ouvido, escutando suas músicas. O vento entrava veloz pelas janelas abertas, jogavam os cabelos dos dois para trás, o que fazia o cabelo do irmão mais novo, o de óculos, ficar ainda mais bagunçado do que o normal. A família agora passava por uma estrada com pouquíssimos carros: talvez isso estivesse ocorrendo por ser cinco e meia de um sábado. O irmão mais novo, então, olhou para o céu que ia clareando. Lá ele via o sol saindo de trás das nuvens muito alvas, era uma bela cena. Olhou então para as árvores que iam sendo deixadas para trás conforme o carro ia andando depressa, eram árvores muito grandes, com as folhagens muito verdes, era tudo muito belo; estavam começando a se aproximar do interior, a se aproximar dos morros, das montanhas. Os postes já estavam ficando escassos, já iam sendo bastante grandes os espaços entre um e outro. Mas então, pouco antes de subirem a serra, o garoto olhou para o último poste que veria (pelo menos por alguns dias). E então, mais uma vez, algo nos fios lhe chamou atenção: uma bola laranja. Era uma bola grande, gorda, laranja, que lembrava muito uma bola de basquete. Ficou assustado, imaginando como teriam posto uma bola de basquete atravessada no fio elétrico. Tem de ser muito bom mesmo, pensou ele. Decidiu perguntar ao irmão se vira a bola, e o mesmo concordou, ficaram por alguns minutos debatendo o caso. Prince sugeriu que jogadores de basquete tivessem errado a mira e as prendido ali sem querer, mas Pontas simplesmente mantinha-se sem opinião a respeito daquilo, apenas imaginando que tipo de pessoa poria bolas de basquete em fiação elétrica.
Prince revirou-se no banco e olhou para trás, para dar uma última olhada na bola laranja, Pontas fez o mesmo. Nunca haviam visto nada igual. Mas então eles logo foram distraídos pelo cenário que mudara: as árvores, o mato, a estrada iluminada apenas pelo sol que agora abandonava as nuvens e ia colocar-se em seu lugar de sempre no céu. Existiam muitas coisas das quais os garotos não compreendiam, ainda eram pequenos, ainda tinham muito que viver. Muitas dessas coisas que não entendiam nunca viriam a ser explicadas, outras demorariam a ganhar significado na mente de Pontas, mas sua cabeça, seu cérebro, eles nunca descansariam, e estariam sempre dispostos a pensar nas hipóteses mais improváveis sobre tudo, como pensara uma vez que talvez jogadores de basquete tivessem colocado aquelas bolas laranjas lá para se guiarem até uma quadra.
Prince revirou-se no banco e olhou para trás, para dar uma última olhada na bola laranja, Pontas fez o mesmo. Nunca haviam visto nada igual. Mas então eles logo foram distraídos pelo cenário que mudara: as árvores, o mato, a estrada iluminada apenas pelo sol que agora abandonava as nuvens e ia colocar-se em seu lugar de sempre no céu. Existiam muitas coisas das quais os garotos não compreendiam, ainda eram pequenos, ainda tinham muito que viver. Muitas dessas coisas que não entendiam nunca viriam a ser explicadas, outras demorariam a ganhar significado na mente de Pontas, mas sua cabeça, seu cérebro, eles nunca descansariam, e estariam sempre dispostos a pensar nas hipóteses mais improváveis sobre tudo, como pensara uma vez que talvez jogadores de basquete tivessem colocado aquelas bolas laranjas lá para se guiarem até uma quadra.
sexta-feira, outubro 15, 2010
Tênis na fiação
Andava distraído pelas ruas dos bairros, estava a caminho de casa. Enquanto caminhava, observava as coisas, observava os outros. Achava estranho o modo como as pessoas se falavam, o modo até como andavam, se cumprimentavam, agiam. Dava graças a Deus por não ser como eles: achava-se diferente e tinha orgulho disso. Então, ele dobrou a esquina e topou com umas garotas que caminhavam aos risos, desculpou-se, meio timidamente, e continuou seu percurso, imaginando se elas por acaso estariam falando dele naquele momento; achou mais provável que pudessem estar comentando sobre como era feio, e ajeitou o cabelo inconscientemente, embora não se importasse tanto com a opinião alheia. Já numa outra rua conhecida, ele observou umas pessoas em um bar conversando sobre política, falavam de modo desengonçado, como se estivessem bêbados, e o dono do bar apenas aproveitava, servindo-os mais cervejas. Fiz um movimento negativo com a cabeça, como que em reprovação, mas eu possuía um sorriso nos lábios. Ao menos estavam se divertindo, era sexta-feira, alguns estavam com as roupas sujas e outros com gravata e terno, estavam se livrando do estresse.
O menino olhou subitamente para o céu, como se lá esperasse ver algo além de algumas nuvens e a grandiosa lua que já tomara seu local lá em cima. Apenas sentiu-se desapontado ao ver apenas a fiação, os postes, mas algo chamou sua atenção: tênis. Havia um par de tênis na fiação, e estava um pé amarrado ao outro pelos cadarços. Enquanto andava, o garoto pegou-se pensando no motivo daquele par de tênis de marca (talvez fossem comprados em um camelô, mas era bonito) estar pendurado ali. Talvez alguém tenha os jogado ali apenas por diversão, quem sabe um adolescente?, ele pensou. Ou então traficantes que queriam deixar sinais como pontos de tráfico, ele imaginou. Não sabia ao certo o que levava alguém a fazer aquilo: adolescentes loucos por vandalismo? Quem sabe... Quando parou para pensar em outra hipótese já estava perto de casa, e aquela rua tão conhecida fez com que o par de tênis desaparecesse de sua mente no mesmo instante, principalmente ao sentir o cheiro de comida que vinha das casas, já estava na hora do jantar. Estava à porta de casa quando imaginou que talvez as pessoas jogassem os tênis ali para ver se derrubavam os fios, forçando o Governo ou a Companhia de Energia Elétrica da cidade colocá-los no subsolo, tornando assim a cidade, um local mais bonito, e um local em que as crianças não corressem risco de morte ao soltar pipas. No entanto, o garoto quase que imediatamente lembrou-se de que, em sua opinião, aquele povo era incrivelmente ignorante para pensar em algo tão esperto (nem tanto, na verdade) assim.
O menino olhou subitamente para o céu, como se lá esperasse ver algo além de algumas nuvens e a grandiosa lua que já tomara seu local lá em cima. Apenas sentiu-se desapontado ao ver apenas a fiação, os postes, mas algo chamou sua atenção: tênis. Havia um par de tênis na fiação, e estava um pé amarrado ao outro pelos cadarços. Enquanto andava, o garoto pegou-se pensando no motivo daquele par de tênis de marca (talvez fossem comprados em um camelô, mas era bonito) estar pendurado ali. Talvez alguém tenha os jogado ali apenas por diversão, quem sabe um adolescente?, ele pensou. Ou então traficantes que queriam deixar sinais como pontos de tráfico, ele imaginou. Não sabia ao certo o que levava alguém a fazer aquilo: adolescentes loucos por vandalismo? Quem sabe... Quando parou para pensar em outra hipótese já estava perto de casa, e aquela rua tão conhecida fez com que o par de tênis desaparecesse de sua mente no mesmo instante, principalmente ao sentir o cheiro de comida que vinha das casas, já estava na hora do jantar. Estava à porta de casa quando imaginou que talvez as pessoas jogassem os tênis ali para ver se derrubavam os fios, forçando o Governo ou a Companhia de Energia Elétrica da cidade colocá-los no subsolo, tornando assim a cidade, um local mais bonito, e um local em que as crianças não corressem risco de morte ao soltar pipas. No entanto, o garoto quase que imediatamente lembrou-se de que, em sua opinião, aquele povo era incrivelmente ignorante para pensar em algo tão esperto (nem tanto, na verdade) assim.
quinta-feira, outubro 14, 2010
Pessoas com apelidos estranhos
Com certeza você conheceu, conhece ou irá conhecer uma pessoa com um apelido estranho.
Pessoas com weird nicknames estão por todos os cantos. É sério, leitor, em todo o local em que você for sempre terá alguém com o apelido mais medonho do mundo. E o mais estranho é que todas essas pessoas têm todas estas coisas em comum:
•Ninguém sabe de onde elas vêm (a menos que sejam crianças);
•Ninguém sabe o verdadeiro nome delas e nem o motivo do apelido;
•Geralmente moram sozinhos;
•São legais, simpáticos, amigos de todos e estão sempre dispostos a ajudar;
Só aqui no meu bairro tem umas duzentas mil pessoas com apelidos estranhos. O menino da rua ao lado apelidado Netinho, e ele foge à primeira regra, já que todos sabem onde ele mora e de onde ele vem. Mas, na verdade, ninguém sabe seu verdadeiro nome (ou pelo menos eu não sei, e ignore o fato de que o conheço há uns seis anos). Ele é um cara bacana, está sempre jogando bola com os outros, mas não tenho o costume de falar com ele, apenas nos cumprimentamos de longe. Outra pessoa apelidada estranhamente aqui no bairro é o Chorão: é um homem atarracado, com olhos apertados e um nariz gordo de batata. Eu não sei onde ele mora nem seu verdadeiro nome, e ninguém também sabe o porquê desse apelido não estranho. Mas o que entendo de Chorão é que, pela sua aparência, intimida qualquer um, but who stops to talk to him acaba descobrindo que é um cara superbacana, embora sempre ande envolvendo com o que chamam de “treta”.
De qualquer maneira, as pessoas podem até me achar um desses caras de apelidos estranhos, por que, para falar a verdade, meu apelido é estranho, mas ele tem um verdadeiro significado, e só de olharem para mim já o descobrem. Ou não.
Enfim, eu parei para pensar sobre essas pessoas dos apelidos outro dia, achei que seria um assunto engraçado para pôr aqui no blog. Ou talvez nem seja. Enfim, estou com outro assunto, mas que ficará para outro post, e este será escrito de uma forma diferente das outras duas e desta.
Pessoas com weird nicknames estão por todos os cantos. É sério, leitor, em todo o local em que você for sempre terá alguém com o apelido mais medonho do mundo. E o mais estranho é que todas essas pessoas têm todas estas coisas em comum:
•Ninguém sabe de onde elas vêm (a menos que sejam crianças);
•Ninguém sabe o verdadeiro nome delas e nem o motivo do apelido;
•Geralmente moram sozinhos;
•São legais, simpáticos, amigos de todos e estão sempre dispostos a ajudar;
Só aqui no meu bairro tem umas duzentas mil pessoas com apelidos estranhos. O menino da rua ao lado apelidado Netinho, e ele foge à primeira regra, já que todos sabem onde ele mora e de onde ele vem. Mas, na verdade, ninguém sabe seu verdadeiro nome (ou pelo menos eu não sei, e ignore o fato de que o conheço há uns seis anos). Ele é um cara bacana, está sempre jogando bola com os outros, mas não tenho o costume de falar com ele, apenas nos cumprimentamos de longe. Outra pessoa apelidada estranhamente aqui no bairro é o Chorão: é um homem atarracado, com olhos apertados e um nariz gordo de batata. Eu não sei onde ele mora nem seu verdadeiro nome, e ninguém também sabe o porquê desse apelido não estranho. Mas o que entendo de Chorão é que, pela sua aparência, intimida qualquer um, but who stops to talk to him acaba descobrindo que é um cara superbacana, embora sempre ande envolvendo com o que chamam de “treta”.
De qualquer maneira, as pessoas podem até me achar um desses caras de apelidos estranhos, por que, para falar a verdade, meu apelido é estranho, mas ele tem um verdadeiro significado, e só de olharem para mim já o descobrem. Ou não.
Enfim, eu parei para pensar sobre essas pessoas dos apelidos outro dia, achei que seria um assunto engraçado para pôr aqui no blog. Ou talvez nem seja. Enfim, estou com outro assunto, mas que ficará para outro post, e este será escrito de uma forma diferente das outras duas e desta.
Zumbis são legais
Por algum motivo, eu tenho uma obsessão por zumbis. Talvez você não saiba o que eles são, e pensar nisso é triste, mas eu irei explicar.
Zumbis são criaturas medonhas e canibais, comumente chamados de mortos-vivos, já que são pessoas anteriormente, bom, mortas. As histórias costumam contar sobre uma terrível doença que se espalha pelo mundo, fazendo com que todos os mortos ressuscitem em busca de miolos e//ou carne fresca. Por serem defuntos, nada os impede de continuar vagando por aí. Tiros não adiantam de nada contra essas criaturas... já estão mortos. Você, leitor, então já deve imaginar o quão maluco eu sou, a ponto de adorar walking deads, que destroçam cabeças e arrancam braços e os comem com o maior prazer.
Acontece que eu sempre sonhei como dia em que o mundo todo contraísse essa tal doença. Imagine todos os mortos ressuscitando, inconscientes, e querendo devorar você! Provavelmente seria o dia mais feliz da minha vida, embora eu faça questão de que algumas pessoas sobrevivam junto de mim: não quero ficar sozinho neste universo. Seria terrível ser o único sobrevivente disso tudo. Sabe, eu sempre vou feliz para o colégio, feliz mesmo, pois acho que a qualquer hora pode aparecer um zumbi lá na portaria, devorar os inspetores, e estes inspetores começariam a devorar os faxineiros, que devorariam os alunos, e assim o caos reinaria. Como deve imaginar, todas estas tentativas de viver em um mundo caótico dominado por mortos-vivos foram frustradas.
Imagino-me sempre com um taco de beisebol, ou talvez armas que eu acharia em algum lugar, com a roupa suja de sangue e todo suado, me imagino também com meu irmão apelidado Prince — e mais algumas pessoas que eu gosto, mas das quais não faço tanta questão assim de comentar aqui — e esse também estaria com um taco de beisebol ou armas, estaríamos em cima de um carro, ou no topo de uma escada, prontos para a luta, prontos para a sobrevivência. Imagino-me correndo pelas ruas e acertando as cabeças dessas medonhas criaturas (esmagar ou explodir sua cabeça os mata), ou então em um carro, atropelando todos eles. Às vezes penso numa metralhadora, penso em bombas e tudo mais. Sei lá, seria divertido, principalmente pelo fato de minha vida ser tão chata.
Bom, se depois disso tudo você continua achando zumbis chatos (se é que você já achava antes), sugiro que vá se tratar, enquanto continuo obsessiva e compulsivamente tentando fazer de minha vida um mundo de aventuras.
Marcadores:
armas,
devorar,
matar,
metralhadora,
mortos-vivos,
Pontas,
Prince,
zumbis
O começo
Sinceramente, eu não deveria estar aqui. É, eu deveria estar apenas lendo um livro, talvez desenhando ou escrevendo qualquer um desses contos que eu gosto de criar. Nem faz tanto sentido eu criar um blog, acho que as pessoas que os criam têm o intuito de divertir ou informar alguém, desabafar ou simplesmente dizer para todos que é apenas mais um que tem blog. Acho que o meu caso é o terceiro, embora eu ache que não precise provar nem mostrar nem dizer nada para ninguém sobre mim, sobre minha vida ou meus pensamentos. Provavelmente, leitor, você está pensando: Ora essa, então por que está escrevendo essa grande bosta? Mas eu até me sinto deprimido em pensar que não tenho a capacidade de te responder isso. Talvez por causa da modinha... Ah, não, modinha agora é criar Vlogs, é. Mas sei lá, talvez eu realmente não devesse estar aqui, pois esse blog provavelmente não irá durar nem mesmo uma semana; eu vejo esses blogs decaídos, onde não se tem nem mesmo um comentário em nenhum post. É triste. A probabilidade de isto aqui dar certo e me dar alguma espécie de fama, em minha opinião, é de 0,4%, após uma análise profunda do meu jeito de pensar, de ser e de escrever.
Ok, eu já tive a chance de desistir de digitar isso, e você já teve sua chance de parar de ler, mas se eu e você chegamos até aqui, o recomendado é que não paremos. Sendo assim, devemos todos ir às apresentações, que eu geralmente dispenso, embora isso seja bastante requerido se fazer ao se conhecer alguém. Mas convenhamos, eu não sei quem é você e você muito provavelmente (98%) não faz a mínima idéia de quem seja. Eu me apresentarei apenas como Pontas, que é um apelido carinhoso (ou talvez nem tanto assim) de uns amigos meus, devido ao meu cabelo extremamente bagunçado que faz pontas de fios para cima; é, ridículo, mas me apeguei a este nickname. Whatever, sou Pontas e quase sempre irei falar diretamente com você, o qual chamarei “leitor”, ou “caro leitor” se eu estiver de bom humor.
Bom, eu devo admitir que não tenho nada demais para dizer, que minha vida é uma das mais monótonas existentes, mas minha mente não. Pretendo escrever aqui como vejo o mundo, e falar sobre o meu mundo, falar sobre, talvez, coisas insanas, pensamentos, idéias. Sendo assim, leitor, fico grato que postasse comentários, nem que seja apenas “Legal” ou “Você é um escroto, burro e babaca, mas continuarei lendo”, ou até mesmo “=D”. Só não tolero comentários do tipo: “FIRST!”, “SECOND”, “PAU NO CU DO FIST!”, “PAU NO CU DO FIRST, SECOND E THIRD. HAHAHA”. Isso é infantilidade e, hum, mediocridade.
Marcadores:
blog,
grande bosta,
leitor,
Pontas,
Primeiro blog,
whatever
Assinar:
Comentários (Atom)




