Andava distraído pelas ruas dos bairros, estava a caminho de casa. Enquanto caminhava, observava as coisas, observava os outros. Achava estranho o modo como as pessoas se falavam, o modo até como andavam, se cumprimentavam, agiam. Dava graças a Deus por não ser como eles: achava-se diferente e tinha orgulho disso. Então, ele dobrou a esquina e topou com umas garotas que caminhavam aos risos, desculpou-se, meio timidamente, e continuou seu percurso, imaginando se elas por acaso estariam falando dele naquele momento; achou mais provável que pudessem estar comentando sobre como era feio, e ajeitou o cabelo inconscientemente, embora não se importasse tanto com a opinião alheia. Já numa outra rua conhecida, ele observou umas pessoas em um bar conversando sobre política, falavam de modo desengonçado, como se estivessem bêbados, e o dono do bar apenas aproveitava, servindo-os mais cervejas. Fiz um movimento negativo com a cabeça, como que em reprovação, mas eu possuía um sorriso nos lábios. Ao menos estavam se divertindo, era sexta-feira, alguns estavam com as roupas sujas e outros com gravata e terno, estavam se livrando do estresse.
O menino olhou subitamente para o céu, como se lá esperasse ver algo além de algumas nuvens e a grandiosa lua que já tomara seu local lá em cima. Apenas sentiu-se desapontado ao ver apenas a fiação, os postes, mas algo chamou sua atenção: tênis. Havia um par de tênis na fiação, e estava um pé amarrado ao outro pelos cadarços. Enquanto andava, o garoto pegou-se pensando no motivo daquele par de tênis de marca (talvez fossem comprados em um camelô, mas era bonito) estar pendurado ali. Talvez alguém tenha os jogado ali apenas por diversão, quem sabe um adolescente?, ele pensou. Ou então traficantes que queriam deixar sinais como pontos de tráfico, ele imaginou. Não sabia ao certo o que levava alguém a fazer aquilo: adolescentes loucos por vandalismo? Quem sabe... Quando parou para pensar em outra hipótese já estava perto de casa, e aquela rua tão conhecida fez com que o par de tênis desaparecesse de sua mente no mesmo instante, principalmente ao sentir o cheiro de comida que vinha das casas, já estava na hora do jantar. Estava à porta de casa quando imaginou que talvez as pessoas jogassem os tênis ali para ver se derrubavam os fios, forçando o Governo ou a Companhia de Energia Elétrica da cidade colocá-los no subsolo, tornando assim a cidade, um local mais bonito, e um local em que as crianças não corressem risco de morte ao soltar pipas. No entanto, o garoto quase que imediatamente lembrou-se de que, em sua opinião, aquele povo era incrivelmente ignorante para pensar em algo tão esperto (nem tanto, na verdade) assim.
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