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sábado, outubro 16, 2010

O belo nascer do sol

O despertador tocou exatamente às quatro horas da manhã. Um despertador velho que achara numa antiga caixa no guarda-roupa de seus pais, lá achara também uma bela caneta bico de pena, e um anel muito bonito com palavras que ele não compreendia. Ele, então, abriu os olhos e levantou-se, estava agitado. Levou algum tempo para desligar o despertador: não tinha força suficiente para apertar o botão velho e emperrado. Em fim o menino conseguiu, e deixou o objeto jogado entre os dois cobertores que usava para dormir; a janela era ao lado de sua cama, então ele simplesmente colocou-se de joelhos e a abriu. E assim que o fez, sentiu um vento frio e forte entrar e jogar seus cabelos para trás, automaticamente ele fechou os olhos. Abriu-os novamente e olhou o céu já claro, viu algumas nuvens muito brancas, mas, obviamente, não viu mais nenhuma estrela. Pacientemente, ele esperou. Apoiou seu rosto nas mãos e ficou ali na janela de seu quarto, esperando por ele: o sol. Viu alguns pássaros passarem muito depressa, cantando na sua língua, sua misteriosa língua de pássaros; e então ocorreu. Foi um processo rápido, coisa de cinco minutos, mas ele aproveitou cada momento.

Por trás das nuvens uma luz extremamente forte nasceu. Automaticamente, as nuvens tornaram-se rosas; um rosa diferente. A luz estava meio disforme, não parecia aquele sol “redondinho” de sempre, estava “embaçado”, “torto”, mas era o sol. O grande astro ia subindo lentamente, muito lentamente, como se fosse aquele velhinho da rua debaixo quando estava andando pelo bairro: não tinha pressa de nada, e não tinha motivos para ter. O céu ao redor daquela luz tornou-se de um laranja claro, bonito. Aos poucos o sol foi tomando o seu lugar, foi subindo, subindo, iluminando tudo, iluminando aquela cidadezinha. Sua luz começou a perturbar o garoto, que insistiu e apenas pôs a mão na testa de modo que fizesse sombra em seus olhos, mas não saiu dali de jeito nenhum.

Mas, afinal, o nascer do sol acabou. Ele já assumira seu trono, já iluminara a cidade, já iluminara o menino, o quarto do menino; esquentara seu coração. O vento frio tornou a vir em direção ao garoto, mas, dessa vez, acompanhado de raios de sol, raios quentes que refletiam em seu rosto jovial e contente. Aquele era um bom motivo para se acordar cedo; aquele era um bom motivo para se viver. Sorriu, piscou, fechou os olhos, chorou. Chorou silenciosamente, chorou de felicidade; na verdade, não sabia ao certo por que chorara, mas não era de tristeza. Um menino de apenas oito anos não devia chorar por uma coisa boba daquelas. Ah, nem é um choro de verdade, ele pensou, são só lágrimas caindo. E realmente, eram somente algumas lágrimas escorrendo de seus olhos, nem era um choro; mas lembrou-se subitamente de seu avô, que morrera alguns anos antes. Ele estava em um belo lugar, talvez no camarote do show que é o nascer do sol.

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