Já era tarde da noite quando ele atravessou a rua de sua casa. Não havia muitos carros na rua, nem muitas pessoas, apenas alguns mendigos; e também uns bêbados que voltavam cambaleantes para suas casas. Olhou o relógio e viu sob a luz do poste que era uma e trinta e três da matina, e lá estava ele atravessando a rua de sua casa, com um destino certo.
Não sabia se valia tanto a pena assim ter se arrumado, saído no frio da noite, encontrado pessoas estranhas, e ter corrido o risco de ser assaltado ou morto por uma coisa boba como aquela que ele queria. Mas não conseguia dormir sem essa coisa, não conseguia de jeito nenhum! Sabia que era psicológico, mas o que fazer em relação àquilo?
Continuou seu caminho sem nenhuma interrupção, chegou ao destino. Entrou na loja vazia e agradeceu a Deus por ela ficar aberta vinte e quatro horas. Pensou nos empregados que trabalhavam ali, com certeza havia alguém (aquele cara ali atrás do balcão) que trocava de turno com outra pessoa. Não era humanamente possível alguém ficar acordado noites à fio durante quase uma semana... Bom, ele quase conseguia essa proeza de vez em quando.
Olhou pelas prateleiras, temeu não conseguir achar o que procurava, mas então seus olhos fitaram o objeto. Era uma barra de chocolate (eu não faço idéia se uma barra de chocolate é um objeto, acredito que seja, mas foi a palavra que encontrei ali na hora). Sorriu e a pegou. Foi até o caixa e deu um boa-noite animado, que o homem respondeu monotonamente, mas ele não se importou. Pagou e desembrulhou o chocolate, mordendo-o antes mesmo de sair da loja. Sentiu um alívio tremendo... Estava tentando há algumas semanas parar com a maluquice de ter de comer chocolate antes de ir se deitar para dormir, mas era impossível. Voltou para casa tranquilamente, tudo lhe parecera mais bonito. Abriu a porta de sua residência, entrou, trancou. Subiu até seu quarto, terminou de comer, jogou a embalagem na cabeceira da cama e escovou os dentes. Foi para a cama e deitou. Acordou algumas horas depois, sentindo um enjôo terrível, foi ao banheiro e vomitou. Assustado, pegou a embalagem do chocolate e foi ler a validade: 04/11/2007. Tinha duas opções: parar de vez com toda aquela maluquice de chocolate, ou processar a Doçaria do Manoel.
hahaha, gostei do modo de escrita. É engraçado sem tentar ser.
ResponderExcluirNão gostei que a música começou tocar ali embaixo. Mesmo que a música é legal...