“- 17 de Junho de 2010 – 08:42 P.M.
Faz pouquíssimo tempo que as aulas começaram. Ainda é junho. Na verdade, o tempo está passando rápida ou lentamente? Eu juro que não faço idéia. Só sei que no fim do ano eu direi ‘Nossa, vejam, já estamos em dezembro, como o ano passou rápido’. Eu sempre digo isso, todos sempre dizem também (não exatamente com as mesmas palavras, é claro). Acontece que eu já fiz amizades. Não, eu não fiz amizades, não são meus amigos. Colegas, eu os chamaria; colegas...
Logo no primeiro dia de aula eu fiz duas amizades. Amizade não, droga! É a falta de uma outra palavra que me faz escrever ‘amizade’ toda hora. Bom, eu só sei que daqui há alguns meses — quem sabe semanas? — eu, provavelmente, muito provavelmente, já não estarei falando com nenhum desses meus novos colegas. Bom, na verdade, só fiz duas colegas. Sim, duas. Garotas, sabe? Um amigo meu (amigo mesmo) está na mesma sala que eu; isso é bom, eu acho. Acho que eu já mencionei essas garotas antes, e esse meu amigo. Sei lá, sabe que nunca fui bom em me lembrar das coisas, e não estou mesmo com disposição para ler as outras escrituras minhas, as anteriores.
É engraçado isso: tem pessoas com quem realmente nos damos bem, nos identificamos, e outras com quem nos irritamos logo de cara. É coisa do cérebro, isso? Quero dizer, como é possível julgarmos alguém assim? Só de olharmos, só de ouvirmos falar uma coisa, ou de fazer alguma coisa. Sei lá, tem impressões, na verdade, que realmente nunca mudam. Dizem que é a primeira impressão que fica, mas não concordo muito com isso. Juro para você que tinha meninas, no primeiro dia de aula, por quem senti uma forte atração, mas que hoje, no meio de junho, já tendo passado um bom tempo na mesma sala que elas, eu já nem vejo mais tanta beleza e simpatia. Aposto que isso acontece com os outros também; ou será que não? Bom, nos primeiros dia de aula, juro que uma das garotas com quem fiz colegagem (sim, eu acabei de inventar este termo) achava meu amigo de outro colégio um cara legal e bonito, mas hoje simplesmente já não sente vontade nem de se aproximar dele para conversar.
Não pretendo ficar aqui muito mais tempo, só queria escrever esses pensamentos que acabaram ficando presos na minha cabeça ao decorrer do dia de hoje, após presenciar certas cenas e ouvir certas coisas. Mas para resumir meu dia em uma só palavra, acho que eu escolheria a palavra ‘divertido’. Hoje foi quinta-feira, tivemos aula de História Geral, o professor é extremamente engraçado e gente boa; tivemos aula de Língua Portuguesa também, professora igualmente engraçada, muito gente boa, divertidíssima. Tivemos Redação, a professora tem um tipo de humor bastante diferente, mas que eu apreciei deveras. Ela vive nos contando os apertos pelos quais ela passa, as situações mais terríveis e improváveis (tudo culpa do azar, realmente), mas que para nós, meros alunos, é extremamente engraçado; me identifiquei com ela por isso: ambos somos azarados.”
O meu quarto é como uma cidade antiga em ruínas. Quanto mais eu mexo nele, mais coisas interessantes eu acho. Talvez esse texto não seja realmente interessante, acho que não é. Mas é como se eu visse uma outra pessoa, um outro eu, de muito tempo atrás; são lembranças de como eu era. Sim, de como eu era, pois eu, você, todos, mudamos a todo instante que passa. De qualquer maneira, acho melhor eu voltar com os contos, e acho melhor eu me servir logo de café e biscoito antes que meu estômago berre de tanta fome.
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