teste selecione o texto Pontas' Stupid Life

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

O primeiro amor

Quando a viu pela primeira vez apaixonou-se.  Era bonita — e como era! Era formosa, tinha corpo de violão e parecia lhe sorrir sempre que a olhava, havia visto pela primeira vez naquela loja que sempre visitava, mas nunca comprava nada. E daquele dia em diante ele decidiu que sempre voltaria lá, pois sabia que lá ela sempre estaria esperando por ele. Não era rico o suficiente, por isso passou pelo menos uns três meses vendendo suas figurinhas e álbuns para arrecadar algum dinheiro. Vendeu também alguns objetos que furtara da casa de sua avó, e que ele tinha certeza de que não fariam a menor falta. E assim foram três meses de muito sacrifício, onde os dois sempre se viam no mesmo horário: logo após a escola dele. Ele saía animado do colégio, e não pensava em outra coisa durante todo o caminho. Entrava na loja e lá estava ela, o olhando com carinho. Prometia sempre aos sussurros que voltaria no outro dia, e dizia sempre que a levaria com ele assim que pudesse, e estava trabalhando firme nesse sonho. O sonho de tirá-la dali e levá-la embora! Embora para qualquer lugar, desde que estivessem juntos.

E os meses se passaram, e a cada dia o amor se tornava mais forte. Ele já havia comentado com os amigos, os amigos mesmo, que o apoiaram. Algumas meninas haviam ouvido a estória, e por algum motivo se interessaram por ele, mas o garoto não se permitia distrações, e seguia firme com seu primeiro amor em mente. E então aconteceu, chegou o final do último mês (o terceiro mês), e ele estava com dinheiro suficiente. Quando o sinal de saída do colégio apitou, ele já estava com a mochila arrumada, o dinheiro nos bolsos da calça, e um sorriso de emoção. Retirou-se do prédio, e por todo o caminho não pensava em outra coisa; só sentia o frio na barriga. Parou em frente à loja, suspirou uma vez, abriu a porta e entrou logo. Foi até o lugar de sempre, mas ela já não estava mais lá, estava nas mãos de outro, que parecia comemorar. Ele, chocado, somente implorou. “Não a tire de mim, é dela que eu preciso, ela me ama, eu a amo, e nos merecemos um ao outro”.  Mas o homem, rindo, não ligou para o menino, tampouco foi piedoso. “Saia da minha frente, menino tolo, e pare de falar baboseiras”. O homem saiu da loja, contente, e ela foi junto, lançando ao garoto um olhar de tristeza, sem nada dizer. O menino voltou para casa, completamente desapontado, e falam que nunca mais ele voltou àquela loja.

E é isso que contam que aconteceu( há muito tempo atrás, onde meninas usavam saias cumpridas e brincavam de bonecas, e garotos brincavam na rua sem preocupação com o perigo)  com aquele menino diferente de todos os outros, e que se apaixonara por uma guitarra.

domingo, janeiro 23, 2011

Overkill

Sentou-se à cadeira da escrivaninha com um caderno antigo e uma caneta igualmente antiga, quase no fim. O incomodava o fato de nunca saber se, algum dia, quando fosse escrever algo, a caneta viesse a falhar e lhe deixasse na mão, mas a preguiça era maior e a força de vontade nunca prevalecia.  Aquele dia, no entanto, quando se sentou para escrever, pensou em dobro na tinta da caneta, e nas folhas do caderno que já estavam muito perto do fim. Pensou em levantar-se e ir comprar materiais novos, mesmo estando já escuro e sabendo que era muito difícil encontrar um armarinho aberto; hesitou, pensou duas vezes, analisou a caneta, analisou a grossura do que restava de folhas do caderno. Mesmo com sua cabeça lhe implorando para que tomasse alguma coragem e saísse dali daquele quarto, nem que fosse para pegar um ventinho na calçada, o menino permaneceu sentado. Posicionou-se para começar a escrever, quando de repente aquela conhecida música tocou, indicando que seu celular acabara de receber uma mensagem. Pegou depressa o aparelho e, ao ver quem enviara, animou-se para ler (talvez aquela fosse uma das raras vezes naquele dia em que ficava animado).  Ao começo da mensagem, riu, mas ao chegar ao fim, sentiu certo peso no peito. Releu a última parte, dessa vez uma ardência no peito. Fez uma careta, mas nem mesmo ele sabia se era uma careta de dor, de raiva, de nojo, de... de...
Ajeitou-se na cadeira e perguntou-se: “será que devo responder?”. Releu a última parte, e fez que não com a cabeça. Fizera inconscientemente, e só alguns segundos depois que fora notar que executara tal movimento (talvez tivesse sido um movimento de reprovação, ou talvez só a resposta para a pergunta anterior, não soube identificar) . Fechou a mensagem, mas não a excluíra, embora aquela ultima partezinha o incomodasse deveras. Jogou o celular para trás, pouco se importando com onde ele cairia; mas para a sua sorte, o objeto caíra em cima de sua cama. Rodou o assento da cadeira e viu seu quarto girar por alguns segundos, até a velocidade diminuir, diminuir, diminuir e parar de frente para seu armário. Pregado na parte de dentro da porta aberta do armário, ele viu a imagem de um garoto magro, não muito alto, com cabelos negros bagunçados e óculos grandes, tinha uma expressão de derrota. Vestia um casaco verde, apesar de não estar frio, e sua calça de malha era conhecida. O menino suspirou para seu reflexo no espelho, encarou-se por mais alguns segundos e perguntou-se mentalmente, por fim, se havia algo de errado com ele. Ele mudara, sabia disso, mas não em aparência: em seu jeito. Ele sempre fora alguém confiante, alegre, animado, um tanto arrogante e pretencioso, e disposto a qualquer coisa; mas nos dias atuais era apenas um garoto com indícios de baixa autoestima, que quase sempre era tomado pela melancolia e quase sempre se via frustrado; abandonara a arrogância de vez, e agora até se achava feio e esquisito, a única coisa que continuara nele fora a pretensão, mas, ainda assim, ela ia e voltava de vez em quando, cambaleante. Lembrou-se de certas pessoas, algumas das quais ele causara grandes desapontamentos e decepções. Uma em especial... Talvez ele estivesse agora pagando o preço por sempre não ter dado muita bola aos sentimentos dos outros, ou talvez aquilo tudo fosse apenas um grande exagero. 

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Bela Tarde Nublada


O mal tempo não o impedira de nada. Muito pelo contrário, apenas o incentivara, já que adorava chuva e céu nublado. Antes de sair de casa ele vestira um agasalho bem quente, uma calça jeans e seu tênis de sempre. Vestira uma touca e luvas. Na realidade, não chovia; apenas chuviscava. Mas fazia bastante frio aquela época do ano. Ele havia trancado a porta de casa como sempre fazia, havia fechado todas as janelas, havia deixado comida e bebida para o cachorro, e deixara todos seus brinquedos perto de sua pequena cama, para que o animal não precisasse devorar seus sapatos e chinelos.
Saíra de casa vagarosamente, e assim permanecera durante todo o caminho. Cumprimentou alguns conhecidos durante o percurso; sorrira para umas belas damas que passavam e o olhavam, mas somente para ser gentil. Tinha um propósito àquela tarde, e, por causa disso, não poderia ficar se engraçando com qualquer rabo-de-saia que aparecesse a sua frente (de qualquer maneira, ele não queria). Desde algum tempo que havia se apaixonado por uma mulher. Era uma bela mulher, e ele achava que ela também se apaixonara por ele. Esperava que sim...
Àquela tarde, ele chegou ao local combinado uns cinco minutos antes do horário marcado. Esperou em frente à cafeteria, e quando deu o horário, ele a viu virando a esquina. Quanto mais a bela aproximava-se, mais ele podia notar sua beleza. Tanta formosura, e doçura, e beleza, que muitas vezes o homem perguntava-se como poderia haver tantas virtudes em uma pessoa só. Além disso tudo, era inteligente e divertida, embora ela sempre dissesse que só era engraçada perto de pessoas monótonas (ora, então ele devia ser um grande monótono, pois sempre ria com suas piadas).
Então a mulher parou à frente dele, com um sorriso no rosto. E que sorriso. Um dos mais bonitos do mundo, ele arriscaria dizer. Talvez o sorriso mais bonito do mundo. Ela estava linda vestindo aquele belo cachecol, casaco e uma blusa de manga cumprida, usava calças jeans e botas, vestia uma boina, seus cabelos lisos e negros caindo pelos seus ombros e chegando até a metade das costas. Os dois beijaram-se rapidamente, um beijo suave, simples, e sorriram. Entraram na cafeteria e foram logo se servir; ele pediu café bem amargo, ela pediu café bem doce.  Sentaram-se na mesa perto da janela, e começaram a conversar. Como sempre, ele não tinha muito que falar, e tentou apenas puxar assunto com coisas bobas, ela tinha o que conversar, e conversou. E conversaram.
E para a grande felicidade dele, e também dela, os dois conseguiram não brigar aquele dia. O rapaz foi capaz de não falar besteira como normalmente fazia, ou falar sem querer de qualquer outra garota, o que a chateava, e ela evitou falar sobre outros garotos, o que o fazia ficar extremamente enciumado. Aquela fora uma bela tarde nublada.

terça-feira, janeiro 11, 2011

A carta

Surrey, 03 de Julho de 1968.

A passagem era muito estreita e secreta, eu quase não a tinha visto por ali, um beco escuro muito apertado. O beco situava-se entre duas moradias de dois andares, num bairro e rua quietos de Elmbridge, ambas as casas pareciam desabitadas, mas no momento em que me atrevi a entrar na estreita passagem, senti como se alguém me observasse das janelas de ambas as casas. Com nada a perder, eu apenas respirei fundo um vez e entrei no beco de lado. Admito que os primeiros minutos foram angustiantes, havia aranhas nas paredes à minha frente e às minhas costas; havia também ratos no chão, poças de lama que fizeram certa sujeira em meus sapatos novos de couro. Sorte minha a lama não ter entrado por eles e chegado aos meus pés. O meu terno ficou bastante manchado, as paredes estavam molhadas e com lodo, minha calça social também se sujou. Imagino eu que tal dificuldade na passagem teria sido feita propositalmente, com o intuito de evitar que qualquer um chegasse ao outro lado; mas eu, curioso e insistente, não pensei em voltar em nenhum minuto sequer. Mas tenho quase de que se eu recuasse nem que fossem dois passos, o beco se alargaria ligeiramente, as aranhas sumiriam, as poças secariam, e o lodo das paredes também sumiriam. Tudo para que a minha volta fosse um tanto quanto fácil e isso se tornasse para mim uma oferta tentadora; mas isso nunca aconteceria realmente, eu sei o quão curioso eu sou, e nunca desistiria.

Bom, eu cheguei ao outro lado do beco, e na verdade, só dei de cara com um muro de tijolos que se erguia até muito alto. Não havia nenhum tipo de porta ou outra passagem, mas eu não sairia dali sem nem mesmo tentar. Para a minha sorte (ou talvez fosse apenas o “destino”), havia marcas na parede. Riscos feitos a carvão nos tijolos, em tijolos alternados para ser mais exato. Como um código. Havia uma marca de carvão num tijolo superior à minha cabeça, e uma marca no outro ao lado, outro risco no quarto tijolo contando da esquerda para a direita, no meu lado esquerdo, e um no sexto da direita para a esquerda, no meu lado direito. Percebi que cada marca era um símbolo, o de cima era um “pauzinho”, o outro eram dois “pauzinhos”, e assim por diante. Logo entendi que ali estavam os comandos para se sair daquele beco terrível e, quem sabe, partir para um mundo de aventuras. De qualquer jeito, eu segui os tais dos comandos, e, para a minha surpresa, o muro de tijolos começou a tremer após alguns segundos. Tremeu como se fosse cair, mas então, os tijolos mexeram-se rapidamente e formaram um buraco. Do outro lado deste buraco, eu pude ver casas, lojas, pessoas.

São pessoas interessantes, os bruxos e bruxas. Vestem-se de uma forma muito extravagante, diferentes de nós, que usamos ternos e sapatos, vestidos e tamancos. Usam capas de diversas cores, chapéus pontudos, calçam botas e vestem cintos grandes. Andam por aí com suas vestes muito pesadas, carregando caldeirões, bastões, portando varinhas mágicas. As crianças vestem-se de um jeito muito parecido, e eles todos estão sempre animados, felizes, são gentes de boa fé. É como se tivessem tudo que precisassem, ou como se eles se sentissem felizes com tudo que tem. Dizem que não posso contar a ninguém sobre o que vi, dizem que é segredo e muitos de “nós” nunca compreenderiam, ou até mesmo aceitariam. Vivem de um jeito muito simples, sabem? E eu tive várias provas de que a Magia realmente existe. Sei que tudo isso parece ser de outro mundo, mas sei o que vi, e sei que o que vi foi verdadeiro.

quarta-feira, dezembro 29, 2010

Natal & other stuff

Pontas: Eu não escrevi um post natalino, Chistmas’ spirit failed.
Prince: Eu também não. Preguiça. Daqui a uma semana eu escrevo. Lol.
Pontas: Lol, até lá a gente já vai ter até esquecido como foi o Natal.

***

Bom, caros leitores, como vocês devem saber (ou não), a preguiça é um lixo. Ela te deixa desanimado, sem vontade de fazer nada e simplesmente sem saco para qualquer coisa que envolva movimento (só piscamos e respiramos pois estes são movimentos incontroláveis, né — o nome não é “incontrolável”, mas agora eu realmente não me lembro qual é). Essa foi a única razão que fez com que o post de Natal não fosse... feito. Anyway, eu não tenho realmente muito que dizer. O Natal foi particularmente normal, a véspera é que não foi lá essas coisas. Eu tive um desentendimento com Ela, sabe, aquela única que conseguiu arrancar o meu coração de mim. Mas já faz tempo. Quero dizer, o Natal foi há... quatro dias atrás. Muita coisa aconteceu nesses quatro dias, muita: eu fiquei usando o computador o dia inteiro, parando apenas para ler ou desenhar de vez em quando.
É, esse é o tipo de férias que qualquer um gostaria de ter (não, com certeza não). Ah, e eu tenho de parar com as três canecas de café à noite, estou indo dormir incrivelmente tarde por causa delas, e isso já está começando a gerar problemas por aqui. Preciso parar de comer tantos biscoitos de chocolate, e com certeza necessito de alguns exercícios para relaxar e sair de dentro desse quarto aqui, que é com certeza o lugar em que eu passo maior parte da minha vida. Isso é estranho, mas realmente necessito pegar Sol e ver as pessoas (embora por aqui só tenha muggles idiotas).
Bom, eu não vou falar só de Natal aqui, embora minha intuição no começo tenha sido fazer um post exclusivamente natalino. Há uma coisa que quero deixar esclarecida, pois já gerou algumas perguntas (não aqui no blog, mas no Messenger) de pessoas que querem saber se eu gosto de “Turma da Mônica Jovem”. Não, eu não gosto de Turma da Mônica Jovem. Eu estou seguindo um blog sobre isso somente pelo fato de que um grande colega meu é o dono dele, e eu gostaria de divulgar o blog simplesmente pela nossa “grande colegagem”. Assim como eu gostaria de que meu blog fosse divulgado.
Não tenho simplesmente nada contra a TMJ, eu simplesmente não aprecio. Não sinto a menor vontade de ler as estórias (embora já tenha lido um exemplar desse mesmo grande colega), achei o gibi muito bem desenhado (é estilo Mangá, awesome!!) e tudo mais, mas não é o tipo de estória que eu ficaria acompanhando. Maurício de Souza é um desenhista e tanto, aprecio muito suas obras e o considero uma verdadeira inspiração, mas acho que Turma da Mônica já deu o que tinha de dar.
Bom, se você, leitor, chegou até aqui, gosta realmente do que escrevo, ou é um estúpido. Ah, esse blog é estúpido, eu sou estúpido, minha vida também... todos ao me redor são e tudo que eu gosto é (okay, aí não!)! Sendo assim, se está lendo isso, eu torço de coração para que aconteça algo legal a você, como tomar um cappuccino ou, sei lá, adotar um macaco Capuchin.



Merda, qual dos dois eu escolho?