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sexta-feira, janeiro 14, 2011

Bela Tarde Nublada


O mal tempo não o impedira de nada. Muito pelo contrário, apenas o incentivara, já que adorava chuva e céu nublado. Antes de sair de casa ele vestira um agasalho bem quente, uma calça jeans e seu tênis de sempre. Vestira uma touca e luvas. Na realidade, não chovia; apenas chuviscava. Mas fazia bastante frio aquela época do ano. Ele havia trancado a porta de casa como sempre fazia, havia fechado todas as janelas, havia deixado comida e bebida para o cachorro, e deixara todos seus brinquedos perto de sua pequena cama, para que o animal não precisasse devorar seus sapatos e chinelos.
Saíra de casa vagarosamente, e assim permanecera durante todo o caminho. Cumprimentou alguns conhecidos durante o percurso; sorrira para umas belas damas que passavam e o olhavam, mas somente para ser gentil. Tinha um propósito àquela tarde, e, por causa disso, não poderia ficar se engraçando com qualquer rabo-de-saia que aparecesse a sua frente (de qualquer maneira, ele não queria). Desde algum tempo que havia se apaixonado por uma mulher. Era uma bela mulher, e ele achava que ela também se apaixonara por ele. Esperava que sim...
Àquela tarde, ele chegou ao local combinado uns cinco minutos antes do horário marcado. Esperou em frente à cafeteria, e quando deu o horário, ele a viu virando a esquina. Quanto mais a bela aproximava-se, mais ele podia notar sua beleza. Tanta formosura, e doçura, e beleza, que muitas vezes o homem perguntava-se como poderia haver tantas virtudes em uma pessoa só. Além disso tudo, era inteligente e divertida, embora ela sempre dissesse que só era engraçada perto de pessoas monótonas (ora, então ele devia ser um grande monótono, pois sempre ria com suas piadas).
Então a mulher parou à frente dele, com um sorriso no rosto. E que sorriso. Um dos mais bonitos do mundo, ele arriscaria dizer. Talvez o sorriso mais bonito do mundo. Ela estava linda vestindo aquele belo cachecol, casaco e uma blusa de manga cumprida, usava calças jeans e botas, vestia uma boina, seus cabelos lisos e negros caindo pelos seus ombros e chegando até a metade das costas. Os dois beijaram-se rapidamente, um beijo suave, simples, e sorriram. Entraram na cafeteria e foram logo se servir; ele pediu café bem amargo, ela pediu café bem doce.  Sentaram-se na mesa perto da janela, e começaram a conversar. Como sempre, ele não tinha muito que falar, e tentou apenas puxar assunto com coisas bobas, ela tinha o que conversar, e conversou. E conversaram.
E para a grande felicidade dele, e também dela, os dois conseguiram não brigar aquele dia. O rapaz foi capaz de não falar besteira como normalmente fazia, ou falar sem querer de qualquer outra garota, o que a chateava, e ela evitou falar sobre outros garotos, o que o fazia ficar extremamente enciumado. Aquela fora uma bela tarde nublada.

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