Pontas: Eu não escrevi um post natalino, Chistmas’ spirit failed.
Prince: Eu também não. Preguiça. Daqui a uma semana eu escrevo. Lol.
Pontas: Lol, até lá a gente já vai ter até esquecido como foi o Natal.
***
Bom, caros leitores, como vocês devem saber (ou não), a preguiça é um lixo. Ela te deixa desanimado, sem vontade de fazer nada e simplesmente sem saco para qualquer coisa que envolva movimento (só piscamos e respiramos pois estes são movimentos incontroláveis, né — o nome não é “incontrolável”, mas agora eu realmente não me lembro qual é). Essa foi a única razão que fez com que o post de Natal não fosse... feito. Anyway, eu não tenho realmente muito que dizer. O Natal foi particularmente normal, a véspera é que não foi lá essas coisas. Eu tive um desentendimento com Ela, sabe, aquela única que conseguiu arrancar o meu coração de mim. Mas já faz tempo. Quero dizer, o Natal foi há... quatro dias atrás. Muita coisa aconteceu nesses quatro dias, muita: eu fiquei usando o computador o dia inteiro, parando apenas para ler ou desenhar de vez em quando.
É, esse é o tipo de férias que qualquer um gostaria de ter (não, com certeza não). Ah, e eu tenho de parar com as três canecas de café à noite, estou indo dormir incrivelmente tarde por causa delas, e isso já está começando a gerar problemas por aqui. Preciso parar de comer tantos biscoitos de chocolate, e com certeza necessito de alguns exercícios para relaxar e sair de dentro desse quarto aqui, que é com certeza o lugar em que eu passo maior parte da minha vida. Isso é estranho, mas realmente necessito pegar Sol e ver as pessoas (embora por aqui só tenha muggles idiotas).
Bom, eu não vou falar só de Natal aqui, embora minha intuição no começo tenha sido fazer um post exclusivamente natalino. Há uma coisa que quero deixar esclarecida, pois já gerou algumas perguntas (não aqui no blog, mas no Messenger) de pessoas que querem saber se eu gosto de “Turma da Mônica Jovem”. Não, eu não gosto de Turma da Mônica Jovem. Eu estou seguindo um blog sobre isso somente pelo fato de que um grande colega meu é o dono dele, e eu gostaria de divulgar o blog simplesmente pela nossa “grande colegagem”. Assim como eu gostaria de que meu blog fosse divulgado.
Não tenho simplesmente nada contra a TMJ, eu simplesmente não aprecio. Não sinto a menor vontade de ler as estórias (embora já tenha lido um exemplar desse mesmo grande colega), achei o gibi muito bem desenhado (é estilo Mangá, awesome!!) e tudo mais, mas não é o tipo de estória que eu ficaria acompanhando. Maurício de Souza é um desenhista e tanto, aprecio muito suas obras e o considero uma verdadeira inspiração, mas acho que Turma da Mônica já deu o que tinha de dar.
Bom, se você, leitor, chegou até aqui, gosta realmente do que escrevo, ou é um estúpido. Ah, esse blog é estúpido, eu sou estúpido, minha vida também... todos ao me redor são e tudo que eu gosto é (okay, aí não!)! Sendo assim, se está lendo isso, eu torço de coração para que aconteça algo legal a você, como tomar um cappuccino ou, sei lá, adotar um macaco Capuchin.
Merda, qual dos dois eu escolho?
quarta-feira, dezembro 29, 2010
sexta-feira, dezembro 24, 2010
A casa da avó
A casa de sua avó fora sempre cheia de coisas estranhas, mas que sempre o haviam interessado. Havia aqueles quadros nos corredores, quadros obscuros, sombrios, de casas ao longe, de ilhas, de noites chuvosas. Tinha um relógio cuco na casa, mas que funcionava muito mal. Devia ter uns seis relógios na casa toda, e cada um espalhado por cada cômodo da residência. Um lustre muito grande e luxuoso ficava pendurado no saguão; e, logo nesse saguão, encontravam-se mais outros quadros. Mas não quadros sombrios, mas com fotos dele e de seus outros primos e primas, de quando eram todos pequenos e supostamente felizes. Mais à frente havia a cozinha, que era espaçosa. Nos armários espalhados pelas paredes da cozinha, bonecos de dez centímetros e de pano encontravam-se pendurados enfeitando; um dos bonecos era uma bruxa, uma bruxa feiosa e gorducha que, uma vez, o garoto achara que havia virado a cabeça para ele e piscado os olhos macabros, quando era pequeno. Outros bonecos eram gnomos, ou duendezinhos, que ele se lembrava de sempre ter querido brincar, mas nunca arranjara coragem para pedir emprestado — eles sempre pareceram tão frágeis. Dentro dos armários tinha tudo que uma cozinha deveria ter, é claro: panelas, pratos, copos, talheres, taças, ingredientes, suprimentos. E a geladeira, que ficava logo de frente para a entrada da cozinha, era a mesma; a avó tinha aquela geladeira desde que o menino se entendia por gente, e o eletrodoméstico continuava a funcionar perfeitamente. Saindo da cozinha e voltando ao hall, via-se uma porta de alumínio, que dava para o banheiro, que não era um pouco apertado e desconfortável. E havia ainda mais duas portas no saguão, portas de vidro, ambas davam para a sala de estar. E a sala de estar? O que dizer sobre ela? Era bonita, grande e aconchegante, com sofás enormes e confortáveis, cortinas longas e bonitas, um tapete que cobria todo o chão. A televisão gigantesca, o aparelho de fita cassete (há tantos anos exterminado das moradias de todo o mundo) e um rádio muito antigo encontravam-se encostados em uma das paredes. Dentro da sala de estar, havia uma porta que dava para o seu quarto. No quarto via-se uma cama gigantesca, onde o garoto já dormira tantas vezes antes. Havia armários e um guarda-roupa, e bonecas de pano. Bonecas de pano no chão e nos cantos, encarando qualquer um que entrava no recinto; encaravam com seus olhos de botão, negros, e seus rostos inexpressivos. Ele sempre temera aquelas bonecas, até mesmo hoje em dia, já crescido, ainda sentia um certo arrepio na espinha e calafrios ao vê-las.
Do lado de fora da casa de sua avó, havia um jardim. Um jardim assustador, com muitas plantas altas e de vários tipos. Para além do jardim havia um corredor (entre as paredes da casa da avó e o muro que separava da casa vizinha), um corredor que, à noite, era moradia de criaturas terríveis e assustadoras, como ratos e baratas. Ah, bom, antigamente o corredor era habitado por duendes, gnomos, besouros gigantes, ratos malignos e demônios, mas hoje em dia apenas ratos e baratas mesmo; nada tão terrível que fosse capaz de fazê-lo perder noites de sono. Enfim, era assim que ele sempre vira a casa de sua avó materna: como um lugar divertido, porém assustador. Nunca perguntou a nenhum primo seu como via a casa, e nem a nenhuma outra pessoa, era idiotice. Todavia, apesar de tudo, ele adorava aquele lugar, embora já não passasse mais tanto tempo lá.
Do lado de fora da casa de sua avó, havia um jardim. Um jardim assustador, com muitas plantas altas e de vários tipos. Para além do jardim havia um corredor (entre as paredes da casa da avó e o muro que separava da casa vizinha), um corredor que, à noite, era moradia de criaturas terríveis e assustadoras, como ratos e baratas. Ah, bom, antigamente o corredor era habitado por duendes, gnomos, besouros gigantes, ratos malignos e demônios, mas hoje em dia apenas ratos e baratas mesmo; nada tão terrível que fosse capaz de fazê-lo perder noites de sono. Enfim, era assim que ele sempre vira a casa de sua avó materna: como um lugar divertido, porém assustador. Nunca perguntou a nenhum primo seu como via a casa, e nem a nenhuma outra pessoa, era idiotice. Todavia, apesar de tudo, ele adorava aquele lugar, embora já não passasse mais tanto tempo lá.
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quinta-feira, dezembro 23, 2010
Solidão (poema)
Durante o dia, sensação de perseguição
Durante a tarde, estranhos vultos
Durante a noite, um murmúrio sombrio.
Enquanto caminha, sem rumo e sem o que fazer,
Vive vendo o que não deveria ver.
Enquanto pensa, mesmo sem ter muito que pensar,
Ouve estranhos sussurros, que chegam a atrapalhar.
Talvez seja bobeira, talvez seja ilusão,
Mas não há nada no mundo que o incomode mais
Do que a amarga solidão.
Quando jovem, jamais se incomodara
Mas agora que crescera, sentia-se vazio, e perturbado
Por não ser mais conhecido, e nem mesmo perguntado.
Esqueceram-lhe o nome, esqueceram-lhe a existência,
E por causa disso, caiu em decadência.
Mas já não havia mais o que fazer
Se estava tão só;
Poderia socializar, ou ao menos tentar,
Todavia, tinha certeza de que nunca iria prosperar.
A solidão o aguardava, e devia acomodar-se a isso
O fabuloso bruxo estava preso em seu próprio feitiço.
Escrevi isso há poucos minutos. Veio tão repentinamente que até assustei-me; gostei, nunca escrevi um poema antes. Não um que eu apreciasse, pelo menos. Espero que goste, leitor (a).
Todos os direitos reservados a Pontas
Durante a tarde, estranhos vultos
Durante a noite, um murmúrio sombrio.
Enquanto caminha, sem rumo e sem o que fazer,
Vive vendo o que não deveria ver.
Enquanto pensa, mesmo sem ter muito que pensar,
Ouve estranhos sussurros, que chegam a atrapalhar.
Talvez seja bobeira, talvez seja ilusão,
Mas não há nada no mundo que o incomode mais
Do que a amarga solidão.
Quando jovem, jamais se incomodara
Mas agora que crescera, sentia-se vazio, e perturbado
Por não ser mais conhecido, e nem mesmo perguntado.
Esqueceram-lhe o nome, esqueceram-lhe a existência,
E por causa disso, caiu em decadência.
Mas já não havia mais o que fazer
Se estava tão só;
Poderia socializar, ou ao menos tentar,
Todavia, tinha certeza de que nunca iria prosperar.
A solidão o aguardava, e devia acomodar-se a isso
O fabuloso bruxo estava preso em seu próprio feitiço.
Escrevi isso há poucos minutos. Veio tão repentinamente que até assustei-me; gostei, nunca escrevi um poema antes. Não um que eu apreciasse, pelo menos. Espero que goste, leitor (a).
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segunda-feira, dezembro 20, 2010
Alzheimer: como evitá-lo
Sentou-se na cadeira da cozinha com seu exemplar recente de Palavras-cruzadas e uma caneta velha e quase no final à mão. Havia um copo de suco ao seu lado, com muitas pedras de gelo. Decidiu levar o suco e o resto para o quarto, onde ligaria o ar-condicionado. O calor nos últimos dias estava tão insuportável...
Enquanto fazia o Palavras-cruzadas, lembrou-se de um e-mail que recebera sobre o Mal de Alzheimer. Uma colega o havia enviado o tal e-mail, alertando sobre os males do Mal de Alzheimer, e como evitá-lo. Palavras-cruzadas era umas das coisas que ajudava a manter longe a tal doença. No e-mail havia alguns testes, como usar o relógio no pulso direito. Pensou bem, olhou o pulso direito e percebeu que sempre usara o relógio ali. Bom, continuando, lembrou-se também que estava escrito sobre andar de costas pela casa; lembrou-se que fizera isso no dia anterior, à tarde, logo após o almoço. Havia algo sobre ver imagens de cabeça para baixo também; sendo assim, pregou o álbum de fotos da família, colocou-o de cabeça para baixo, e dez minutos depois havia terminado de ver quase todas as fotos daquela maneira. Recordou sobre testar comidas novas... Não entendeu o motivo de aquelas coisas evitarem o Alzheimer, mas ele não tinha mais nada para fazer mesmo. É, já que não tinha mais nada para fazer, iria evitar que o Mal de Alzheimer arruinasse com sua vida... Se surgisse algo mais interessante para se fazer, ele faria, mas por enquanto tentaria impedir aquela doença.
Sendo assim, foi até a cozinha, passando pelo corredor muito abafado. Chegando lá, experimentou algumas misturas, nada demais. Em seguida, não resistindo ao calor, retornou ao quarto. Sentou-se na cama e pensou no que havia feito na cozinha, em uma das misturas que fizera.
— Bolo de chocolate misturado com orégano. Isso sim é aventura. — falou, voltando sua atenção às palavras-cruzadas e tentando tirar o gosto horrível do experimento com o suco, agora completamente aguado, ao seu lado no chão.
Enquanto fazia o Palavras-cruzadas, lembrou-se de um e-mail que recebera sobre o Mal de Alzheimer. Uma colega o havia enviado o tal e-mail, alertando sobre os males do Mal de Alzheimer, e como evitá-lo. Palavras-cruzadas era umas das coisas que ajudava a manter longe a tal doença. No e-mail havia alguns testes, como usar o relógio no pulso direito. Pensou bem, olhou o pulso direito e percebeu que sempre usara o relógio ali. Bom, continuando, lembrou-se também que estava escrito sobre andar de costas pela casa; lembrou-se que fizera isso no dia anterior, à tarde, logo após o almoço. Havia algo sobre ver imagens de cabeça para baixo também; sendo assim, pregou o álbum de fotos da família, colocou-o de cabeça para baixo, e dez minutos depois havia terminado de ver quase todas as fotos daquela maneira. Recordou sobre testar comidas novas... Não entendeu o motivo de aquelas coisas evitarem o Alzheimer, mas ele não tinha mais nada para fazer mesmo. É, já que não tinha mais nada para fazer, iria evitar que o Mal de Alzheimer arruinasse com sua vida... Se surgisse algo mais interessante para se fazer, ele faria, mas por enquanto tentaria impedir aquela doença.
Sendo assim, foi até a cozinha, passando pelo corredor muito abafado. Chegando lá, experimentou algumas misturas, nada demais. Em seguida, não resistindo ao calor, retornou ao quarto. Sentou-se na cama e pensou no que havia feito na cozinha, em uma das misturas que fizera.
— Bolo de chocolate misturado com orégano. Isso sim é aventura. — falou, voltando sua atenção às palavras-cruzadas e tentando tirar o gosto horrível do experimento com o suco, agora completamente aguado, ao seu lado no chão.
sexta-feira, dezembro 10, 2010
Fragmentos de vida #2
“- 17 de Junho de 2010 – 08:42 P.M.
Faz pouquíssimo tempo que as aulas começaram. Ainda é junho. Na verdade, o tempo está passando rápida ou lentamente? Eu juro que não faço idéia. Só sei que no fim do ano eu direi ‘Nossa, vejam, já estamos em dezembro, como o ano passou rápido’. Eu sempre digo isso, todos sempre dizem também (não exatamente com as mesmas palavras, é claro). Acontece que eu já fiz amizades. Não, eu não fiz amizades, não são meus amigos. Colegas, eu os chamaria; colegas...
Logo no primeiro dia de aula eu fiz duas amizades. Amizade não, droga! É a falta de uma outra palavra que me faz escrever ‘amizade’ toda hora. Bom, eu só sei que daqui há alguns meses — quem sabe semanas? — eu, provavelmente, muito provavelmente, já não estarei falando com nenhum desses meus novos colegas. Bom, na verdade, só fiz duas colegas. Sim, duas. Garotas, sabe? Um amigo meu (amigo mesmo) está na mesma sala que eu; isso é bom, eu acho. Acho que eu já mencionei essas garotas antes, e esse meu amigo. Sei lá, sabe que nunca fui bom em me lembrar das coisas, e não estou mesmo com disposição para ler as outras escrituras minhas, as anteriores.
É engraçado isso: tem pessoas com quem realmente nos damos bem, nos identificamos, e outras com quem nos irritamos logo de cara. É coisa do cérebro, isso? Quero dizer, como é possível julgarmos alguém assim? Só de olharmos, só de ouvirmos falar uma coisa, ou de fazer alguma coisa. Sei lá, tem impressões, na verdade, que realmente nunca mudam. Dizem que é a primeira impressão que fica, mas não concordo muito com isso. Juro para você que tinha meninas, no primeiro dia de aula, por quem senti uma forte atração, mas que hoje, no meio de junho, já tendo passado um bom tempo na mesma sala que elas, eu já nem vejo mais tanta beleza e simpatia. Aposto que isso acontece com os outros também; ou será que não? Bom, nos primeiros dia de aula, juro que uma das garotas com quem fiz colegagem (sim, eu acabei de inventar este termo) achava meu amigo de outro colégio um cara legal e bonito, mas hoje simplesmente já não sente vontade nem de se aproximar dele para conversar.
Não pretendo ficar aqui muito mais tempo, só queria escrever esses pensamentos que acabaram ficando presos na minha cabeça ao decorrer do dia de hoje, após presenciar certas cenas e ouvir certas coisas. Mas para resumir meu dia em uma só palavra, acho que eu escolheria a palavra ‘divertido’. Hoje foi quinta-feira, tivemos aula de História Geral, o professor é extremamente engraçado e gente boa; tivemos aula de Língua Portuguesa também, professora igualmente engraçada, muito gente boa, divertidíssima. Tivemos Redação, a professora tem um tipo de humor bastante diferente, mas que eu apreciei deveras. Ela vive nos contando os apertos pelos quais ela passa, as situações mais terríveis e improváveis (tudo culpa do azar, realmente), mas que para nós, meros alunos, é extremamente engraçado; me identifiquei com ela por isso: ambos somos azarados.”
O meu quarto é como uma cidade antiga em ruínas. Quanto mais eu mexo nele, mais coisas interessantes eu acho. Talvez esse texto não seja realmente interessante, acho que não é. Mas é como se eu visse uma outra pessoa, um outro eu, de muito tempo atrás; são lembranças de como eu era. Sim, de como eu era, pois eu, você, todos, mudamos a todo instante que passa. De qualquer maneira, acho melhor eu voltar com os contos, e acho melhor eu me servir logo de café e biscoito antes que meu estômago berre de tanta fome.
Faz pouquíssimo tempo que as aulas começaram. Ainda é junho. Na verdade, o tempo está passando rápida ou lentamente? Eu juro que não faço idéia. Só sei que no fim do ano eu direi ‘Nossa, vejam, já estamos em dezembro, como o ano passou rápido’. Eu sempre digo isso, todos sempre dizem também (não exatamente com as mesmas palavras, é claro). Acontece que eu já fiz amizades. Não, eu não fiz amizades, não são meus amigos. Colegas, eu os chamaria; colegas...
Logo no primeiro dia de aula eu fiz duas amizades. Amizade não, droga! É a falta de uma outra palavra que me faz escrever ‘amizade’ toda hora. Bom, eu só sei que daqui há alguns meses — quem sabe semanas? — eu, provavelmente, muito provavelmente, já não estarei falando com nenhum desses meus novos colegas. Bom, na verdade, só fiz duas colegas. Sim, duas. Garotas, sabe? Um amigo meu (amigo mesmo) está na mesma sala que eu; isso é bom, eu acho. Acho que eu já mencionei essas garotas antes, e esse meu amigo. Sei lá, sabe que nunca fui bom em me lembrar das coisas, e não estou mesmo com disposição para ler as outras escrituras minhas, as anteriores.
É engraçado isso: tem pessoas com quem realmente nos damos bem, nos identificamos, e outras com quem nos irritamos logo de cara. É coisa do cérebro, isso? Quero dizer, como é possível julgarmos alguém assim? Só de olharmos, só de ouvirmos falar uma coisa, ou de fazer alguma coisa. Sei lá, tem impressões, na verdade, que realmente nunca mudam. Dizem que é a primeira impressão que fica, mas não concordo muito com isso. Juro para você que tinha meninas, no primeiro dia de aula, por quem senti uma forte atração, mas que hoje, no meio de junho, já tendo passado um bom tempo na mesma sala que elas, eu já nem vejo mais tanta beleza e simpatia. Aposto que isso acontece com os outros também; ou será que não? Bom, nos primeiros dia de aula, juro que uma das garotas com quem fiz colegagem (sim, eu acabei de inventar este termo) achava meu amigo de outro colégio um cara legal e bonito, mas hoje simplesmente já não sente vontade nem de se aproximar dele para conversar.
Não pretendo ficar aqui muito mais tempo, só queria escrever esses pensamentos que acabaram ficando presos na minha cabeça ao decorrer do dia de hoje, após presenciar certas cenas e ouvir certas coisas. Mas para resumir meu dia em uma só palavra, acho que eu escolheria a palavra ‘divertido’. Hoje foi quinta-feira, tivemos aula de História Geral, o professor é extremamente engraçado e gente boa; tivemos aula de Língua Portuguesa também, professora igualmente engraçada, muito gente boa, divertidíssima. Tivemos Redação, a professora tem um tipo de humor bastante diferente, mas que eu apreciei deveras. Ela vive nos contando os apertos pelos quais ela passa, as situações mais terríveis e improváveis (tudo culpa do azar, realmente), mas que para nós, meros alunos, é extremamente engraçado; me identifiquei com ela por isso: ambos somos azarados.”
O meu quarto é como uma cidade antiga em ruínas. Quanto mais eu mexo nele, mais coisas interessantes eu acho. Talvez esse texto não seja realmente interessante, acho que não é. Mas é como se eu visse uma outra pessoa, um outro eu, de muito tempo atrás; são lembranças de como eu era. Sim, de como eu era, pois eu, você, todos, mudamos a todo instante que passa. De qualquer maneira, acho melhor eu voltar com os contos, e acho melhor eu me servir logo de café e biscoito antes que meu estômago berre de tanta fome.
segunda-feira, dezembro 06, 2010
Fragmentos de vida #1
“- 15de Março de 2010 – 09:32 PM
Eu tinha acabado de chegar a minha casa. Não havia muito que fazer, meus pais estavam fora, meu irmão mais velho chegaria logo da escola, o mais novinho estava no colégio. Eu fui até meu quarto e joguei a mochila em cima da cama. Tirei o uniforme, tomei banho, pus uma roupa folgada, aquelas de ficar em casa. Saí para o corredor. Lá estava meu irmão, com ar de cansado, indo para seu quarto. Cumprimentamos-nos rapidamente, ele entrou, eu fui para a sala. Esperaria por ele para almoçarmos juntos, embora eu já estivesse com fome. Sentei-me no sofá da sala de estar, e, então, eu vi o armário de vinhos do meu pai. Era um armário grande, no alto, na parede esquerda da sala, logo ao lado da parede onde ficava a televisão. Reparei que havia quase vinte garrafas de vinho lá. Por que meus pais nunca bebiam tudo aquilo? Ele vivia ganhando todo ano, perto do Natal, uma garrafa daquelas. Levantei-me e fui até lá. Analisei algumas, tomando o maior cuidado do mundo, e percebi que um dos vinhos era italiano; outro era da Argentina. Havia ainda um de Portugal. Todos eles tinham escrito “Vinho fino” na pequena embalagem que os cercava. Eu nunca bebera vinho na vida, e nunca bebi até hoje, acho. Ah, não, minto. Bebi na festa de Réveillon do ano passado, mas era um vinho que mais se parecia com soda, agora não me recordo o nome. Talvez algum dia eu venha a beber um vinho tinto, acho que esse é o nome para aqueles vinhos vermelhos, ou escuros, como preferir, que minha avó por parte de mãe tanto gosta. É, talvez eu devesse visitá-la alguns dias com todas aquelas garrafas e lhe presenteasse; ela ficaria bastante contente, e teríamos menos coisas inúteis na casa. Mas acho que isso não seria tão legal, afinal, se nós temos um Armário para Vinhos (não é uma adega, mas mesmo um armário para se guardar vinhos), acho melhor termos vinho para guardar nele. Acho que essa foi mesmo o melhor pensamento que tive no dia de hoje, não quero escrever mais nada aqui. Ocuparia muitas linhas com coisas inúteis que vivencio.”
Achei esse fragmento de vida enquanto revirava todos os montes de papéis no meu quarto hoje. Data lá pro início do ano, nem lembrava mais, mas acho que até julho eu vivia escrevendo esse tipo de coisa. Decidi postar aqui, achei legal. Espero que goste, leitor, espero que ria, sei lá, qualquer coisa que o entretenha.
Eu tinha acabado de chegar a minha casa. Não havia muito que fazer, meus pais estavam fora, meu irmão mais velho chegaria logo da escola, o mais novinho estava no colégio. Eu fui até meu quarto e joguei a mochila em cima da cama. Tirei o uniforme, tomei banho, pus uma roupa folgada, aquelas de ficar em casa. Saí para o corredor. Lá estava meu irmão, com ar de cansado, indo para seu quarto. Cumprimentamos-nos rapidamente, ele entrou, eu fui para a sala. Esperaria por ele para almoçarmos juntos, embora eu já estivesse com fome. Sentei-me no sofá da sala de estar, e, então, eu vi o armário de vinhos do meu pai. Era um armário grande, no alto, na parede esquerda da sala, logo ao lado da parede onde ficava a televisão. Reparei que havia quase vinte garrafas de vinho lá. Por que meus pais nunca bebiam tudo aquilo? Ele vivia ganhando todo ano, perto do Natal, uma garrafa daquelas. Levantei-me e fui até lá. Analisei algumas, tomando o maior cuidado do mundo, e percebi que um dos vinhos era italiano; outro era da Argentina. Havia ainda um de Portugal. Todos eles tinham escrito “Vinho fino” na pequena embalagem que os cercava. Eu nunca bebera vinho na vida, e nunca bebi até hoje, acho. Ah, não, minto. Bebi na festa de Réveillon do ano passado, mas era um vinho que mais se parecia com soda, agora não me recordo o nome. Talvez algum dia eu venha a beber um vinho tinto, acho que esse é o nome para aqueles vinhos vermelhos, ou escuros, como preferir, que minha avó por parte de mãe tanto gosta. É, talvez eu devesse visitá-la alguns dias com todas aquelas garrafas e lhe presenteasse; ela ficaria bastante contente, e teríamos menos coisas inúteis na casa. Mas acho que isso não seria tão legal, afinal, se nós temos um Armário para Vinhos (não é uma adega, mas mesmo um armário para se guardar vinhos), acho melhor termos vinho para guardar nele. Acho que essa foi mesmo o melhor pensamento que tive no dia de hoje, não quero escrever mais nada aqui. Ocuparia muitas linhas com coisas inúteis que vivencio.”
Achei esse fragmento de vida enquanto revirava todos os montes de papéis no meu quarto hoje. Data lá pro início do ano, nem lembrava mais, mas acho que até julho eu vivia escrevendo esse tipo de coisa. Decidi postar aqui, achei legal. Espero que goste, leitor, espero que ria, sei lá, qualquer coisa que o entretenha.
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