teste selecione o texto Pontas' Stupid Life: novembro 2010

sábado, novembro 27, 2010

Supertramp - The logical song (texto)

Quando eu era jovem, parecia que a vida era tão maravilhosa, um milagre, é, ela era tão bonita, mágica. E todos os pássaros nas árvores cantavam felizes, alegres, brincalhões, me observando. Mas então eles me mandaram embora para me ensinar a ser sensato, para me ensinar a ser lógico, responsável, prático. Mostraram-me um mundo onde eu poderia ser muito dependente, doentio, cínico. Todavia, tem vezes que, quando todo o mundo dorme, as questões seguem profundas demais. Alguém aí me diga o que aprendemos, por favor. Eu sei que soa um absurdo, mas alguém, por favor, faria a gentileza de dizer quem eu sou?

Mas devemos ter cuidado com o que dizemos, ou então eles nos chamam de radicais, de liberais, até criminosos. E você, vai assinar seu nome? Eles gostariam de sentir que você é aceitável, respeitável, e com certeza apresentável. Um verdadeiro vegetal!

E à noite, quando todo o mundo dorme, as questões ficam ainda mais profundas para um homem simples como eu. Você me dirá o que aprendemos com tudo isso? Quero dizer, isso realmente soa absurdo. Transformar-se em algo apresentável, em algo aceitável por todos, tornar-se dependente cada vez mais de um mundo que só afunda e afunda. Qual a verdadeira graça em seguir as regras e prender-se a um mundo como o de hoje? Por que a vida não pode ser sempre (ou ao menos parecer sempre) uma maravilha, um milagre, uma beleza? Onde está toda a magia? Onde se encontram agora os pássaros que cantam nas árvores?

Pergunto novamente: e você aí, irá assinar seu nome nessa lista de apresentáveis, perfeitos e... vegetais?


Supertramp - The logical song

segunda-feira, novembro 22, 2010

I am back

Sentei-me à cadeira do computador e suspirei. Alguns minutos após o uso da máquina, descobri pelo manuseio que o mouse se encontra em péssimo estado: trava a todo momento. Assim que acessei meu Messenger, algumas janelas chamaram. A algumas eu não dei tanta atenção, a outras eu dei tanta atenção quanto um mendigo daria a um saco com barras de ouro. Em seguida eu cliquei no navegador, a página inicial de sempre abriu. De sempre... É, de sempre, mas fazia algum tempo que eu não a via realmente.
Pensei no que eu procuraria. Ah, ora, eu estava livre para pesquisar qualquer coisa que eu quisesse, por mais boba que fosse. Lá na barra de endereços, eu digitei o primeiro site que me veio a mente. Assim que a página abriu, a música começou. Música clássica. Tanto tempo que eu não a escutava. Em seguida li o título "Doçaria do Manoel". Senti-me em casa. Por algum motivo, criei um certo laço emocional com esse blog; talvez seja pelo fato de eu postar meus pensamentos, meus contos, minhas ideias, e tudo isso através do que mais gosto: textos. Algumas vezes até imagens. Percebi que eu não escrevi algo fazia bastante tempo, mas eu não estava realmente com ideias, então decidi por escrever qualquer coisa. Qualquer coisa que viesse à cabeça. Dei pausa na música clássica e decidi escutar um rock. Olhei que me chamavam no Messenger, era ela. Ela que também havia acabado de "voltar"; voltar de tanto tempo que estivera "fora". Pelo menos fora de minha vida...
Eu gostaria de deixar uma mensagem bonita ao fim dessa postagem, mas a única coisa que posso dizer (e não é nada bonita ou comovente) é "I am back".

quinta-feira, novembro 04, 2010

Doçaria do Manoel

Já era tarde da noite quando ele atravessou a rua de sua casa. Não havia muitos carros na rua, nem muitas pessoas, apenas alguns mendigos; e também uns bêbados que voltavam cambaleantes para suas casas. Olhou o relógio e viu sob a luz do poste que era uma e trinta e três da matina, e lá estava ele atravessando a rua de sua casa, com um destino certo.

Não sabia se valia tanto a pena assim ter se arrumado, saído no frio da noite, encontrado pessoas estranhas, e ter corrido o risco de ser assaltado ou morto por uma coisa boba como aquela que ele queria. Mas não conseguia dormir sem essa coisa, não conseguia de jeito nenhum! Sabia que era psicológico, mas o que fazer em relação àquilo?

Continuou seu caminho sem nenhuma interrupção, chegou ao destino. Entrou na loja vazia e agradeceu a Deus por ela ficar aberta vinte e quatro horas. Pensou nos empregados que trabalhavam ali, com certeza havia alguém (aquele cara ali atrás do balcão) que trocava de turno com outra pessoa. Não era humanamente possível alguém ficar acordado noites à fio durante quase uma semana... Bom, ele quase conseguia essa proeza de vez em quando.

Olhou pelas prateleiras, temeu não conseguir achar o que procurava, mas então seus olhos fitaram o objeto. Era uma barra de chocolate (eu não faço idéia se uma barra de chocolate é um objeto, acredito que seja, mas foi a palavra que encontrei ali na hora). Sorriu e a pegou. Foi até o caixa e deu um boa-noite animado, que o homem respondeu monotonamente, mas ele não se importou. Pagou e desembrulhou o chocolate, mordendo-o antes mesmo de sair da loja. Sentiu um alívio tremendo... Estava tentando há algumas semanas parar com a maluquice de ter de comer chocolate antes de ir se deitar para dormir, mas era impossível. Voltou para casa tranquilamente, tudo lhe parecera mais bonito. Abriu a porta de sua residência, entrou, trancou. Subiu até seu quarto, terminou de comer, jogou a embalagem na cabeceira da cama e escovou os dentes. Foi para a cama e deitou. Acordou algumas horas depois, sentindo um enjôo terrível, foi ao banheiro e vomitou. Assustado, pegou a embalagem do chocolate e foi ler a validade: 04/11/2007. Tinha duas opções: parar de vez com toda aquela maluquice de chocolate, ou processar a Doçaria do Manoel.